sábado, 28 de outubro de 2006

A Santificação (Parte 4)

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A batalha contra o pecado

“Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer.” (Gl 5:17)

Chegamos ao último tópico de nossa série sobre a santificação, e terminaremos de modo bem prático, abordando a batalha individual do crente contra o pecado.

Em primeiro lugar, precisamos estabelecer que a batalha contra o pecado só começa na vida de uma pessoa quando esta é salva pela graça de Deus. No seu estado natural, o ser humano é dominado pela sua natureza pecaminosa, tem grande prazer no pecado e não pensa em se afastar dele. Não há fome e sede de justiça, é escravo do pecado e o pratica deliberadamente. (Jo 8:34, Ef 2:3, Rm 3:9-18)

E o cristão, mesmo tendo sido regenerado, ainda possui uma natureza carnal (Gl 5:17; Rm 7:18). A culpa e a penalidade do pecado foi de todo removida, ele está plenamente justificado, porém a semente da corrupção ainda permanece, o pecado original persiste, de modo que o cristão só será plenamente livre da presença do pecado na glorificação final. Assim, observamos de modo claro nas Escrituras que há estes dois princípios operando no crente: a carne, que é a sua natureza pecaminosa, e o Espírito, que operou a regeneração e que habita nele. Podemos dizer que, na conversão de um homem, a carne é gravemente ferida, porém a sua influência continua existindo.

A presença do Espírito na vida do cristão explica o porquê dele viver uma vida de santificação e temor de Deus. Este Espírito opera eficazmente nele, trabalha profundamente em seu coração e o leva a amar e buscar a Deus. E a continuidade da presença da “carne” também nos dá o motivo pelo qual os filhos de Deus ainda enfrentam dificuldades no seu processo de santificação, caem em tentações e ficam aquém do estado em que tanto gostariam de estar.

Talvez você, meu irmão, esteja com problemas na sua batalha pessoal contra o pecado, e com a graça de Deus quero mostrar a você algumas verdades para o consolo e fortalecimento do seu coração. Há um texto clássico sobre o assunto, que é o que está na carta de Paulo aos Filipenses, capítulo 2, versos 12 e 13:

“(...) desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.”

Este texto fala do desenvolvimento da nossa salvação, que é um outro modo de se referir à santificação, e ele nos apresenta duas facetas desse processo: o dever do cristão e o agir de Deus; a parte do homem e a parte de Deus.

O papel do crente na santificação
A santificação é um processo que exige grande esforço do cristão. Enquanto a regeneração é uma ação instantânea e totalmente divina onde o homem é passivo (Ef 2:1), a santificação requer uma participação humana ativa. Dentre muitos textos, seleciono dois que demonstram claramente qual é o papel do filho de Deus: “Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena” (Cl 3:5) e “Exercita-te, pessoalmente, na piedade” (1 Tm 4:7).

Em outras palavras, devemos mortificar a carne e alimentar o nosso espírito. Se alimentarmos a nossa natureza perversa, ela se tornará cada vez mais forte e freqüentemente cairemos, mas se nutrirmos a nossa natureza espiritual, certamente seremos vitoriosos contra o pecado.

A nossa natureza terrena se fortalece sempre quando damos lugar à carne e relaxamos nos nossos deveres espirituais. Quando deixamos de lado a oração, o estudo e meditação nas Escrituras, a comunhão com os irmãos, enfim, aqueles meios pelos quais Deus nos concede graça, a carne ganha força. Isso também acontece quando passamos a permitir que as coisas do mundo entrem em nosso coração, que a sua filosofia ganhe algum espaço em nossa mente, que os seus caminhos influenciem a nossa vida.

Por isso, meus irmãos, eu os conclamo a se exercitarem na oração e jejum. Orem sem cessar, estejam sempre em espírito de oração. Quanto mais estivermos em comunhão com Deus, mais nos deleitaremos Nele e aborreceremos o pecado. Não desprezem também a leitura da Palavra! É na Bíblia que encontramos consolo e força para caminhar, é ela quem nos mostra a vileza do pecado e a santidade de Deus. Louvem o Seu nome em todo tempo, porque Ele habita em meio aos louvores e inspira a gratidão que nos impede de pecar contra o Senhor. Estejam sempre na comunhão dos irmãos, porque eles são nossos companheiros de corrida, que nos ajudam e precisam da nossa ajuda. Se envolvam com a obra de Deus, pratiquem o bem, ocupem a mente com pensamentos santos, e não terão tempo para as maldades do mundo.

Devemos estar em constante vigilância, irmãos. “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação”, disse o nosso Senhor. O pecado não dá trégua, o velho homem está sempre à procura de uma oportunidade para vir à tona. O diabo está sempre colocando as suas armadilhas para nos fazer cair, por isso temos sempre que resistir. Não se deixe tomar pelo sono, esteja com os olhos bem abertos, fique atento!

Precisamos continuamente nos encher do Espírito Santo, pois Ele é o nosso Aliado contra o pecado. Se há um texto bíblico que resume tudo isso que temos dito, é este: “andai no Espírito, e jamais satisfareis à concupiscência da carne” (Gl 5:16).

O papel de Deus na santificação
Falamos do dever do cristão na santificação, mas graças a Deus, meus irmãos, não estamos sozinhos na batalha. O Deus que iniciou a Sua boa obra em nós não nos desampara nunca, e a Sua mão está continuamente operando em nosso favor. Lemos em nosso texto que “Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar”, ou seja, Ele opera em nossos corações e nos torna desejosos a perseverar na santidade. Ainda que haja o nosso esforço, tanto o nosso querer como o nosso realizar provém Dele, é Ele quem está agindo em nós maravilhosamente. É como diz o profeta Ezequiel: “Porei dentro de vós o meu Espírito e farei com que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis” (Ez 36:27).

Há outros textos bíblicos que mostram a ação de Deus no processo da santificação, o Seu poder em nossas vidas, e quero citar alguns deles para a sua consolação.

O apóstolo Paulo, na sua grande exposição sobre a segurança eterna dos santos, disse que “o Espírito, semelhantemente, nos ajuda em nossa fraqueza; pois não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis” (Rm 8:26). Ah, meus irmãos, o Espírito Santo é o nosso Grande Companheiro na vida cristã, e Ele nos ajuda em todas as nossas fraquezas. É Ele quem nos faz vencer o pecado e nos levanta quando caímos!

Lemos também que o poder de Deus “se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Co 12:9). Cristão, talvez você esteja olhando para você mesmo e contemplando um cristão cheio de fraquezas e falhas, mas eu o desafio a olhar para o poder de Deus que opera em você. Sim, o poder “que Ele exerceu sobre Cristo, ressuscitando-o dos mortos” (Ef 1:20), esta “suprema grandeza do Seu poder” (Ef 1:19) está em atividade em nossas vidas!

E que dizer de Hebreus 4:15-16? “Porque não temos Sumo Sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi Ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna”. Você percebe que Jesus sabe o que é ser tentado? Ele foi grandemente tentado em todas as áreas, por isso Ele entende o quão difícil é suportar a tentação e pode se compadecer de nós para nos ajudar. Cristão, por acaso as tentações tem sido muito violentas e você tem sucumbido diante delas? O Seu Salvador se compadece de você, então vá com ousadia ao trono da graça e implore a Sua ajuda! Ele socorre você!

Regozijem-se no Senhor, filhos de Deus! “Ora, Àquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante da sua glória” (Judas 24). “O mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é o que vos chama, o qual também o fará.” (2 Ts 5:23,24). “Todo aquele que é nascido de Deus vence o mundo” (1 Jo 5:4).

E quando eu cair em pecado, o que farei? “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo, para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda injustiça” (I Jo 1:9)! Aleluia!

Conclusão
Enfim, meus irmãos, falamos um pouco sobre a nossa batalha diária contra o pecado. Vimos que temos o dever de nos esforçar, e que ao mesmo tempo Deus nos ajuda tremendamente. Qual será a sua reação diante dessas verdades? Você que tem caído em pecado e está em sonolência espiritual, continuará a ser relaxado em sua vida? E você que tem se desesperado porque não tem conseguido vencer certos pecados, vai ignorar o Deus que o ama e ajuda?

Com esse tema terminamos nossa série sobre a santificação, que o Senhor abençoe os leitores tremendamente, e que todos nós carreguemos como bandeira a “santidade ao SENHOR”!

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

Em que crê um cristão reformado?

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Muitos irmãos em Cristo devem ter percebido que me identifico sempre como um "cristão reformado", apesar de, logicamente, ser um evangélico. Talvez alguns já indagaram a si próprios sobre o que significa essa expressão, porém nunca tiveram coragem de perguntar. Escrevo este artigo com o objetivo de satisfazer a curiosidade de todos aqueles que ficam com um nó na cabeça sempre que ouvem ou lêem essa expressão de minha parte.

Um cristão reformado é alguém que crê na doutrina bíblica conforme expressa pela Teologia Reformada, elaborada no tempo da Reforma Protestante. Como já foi dito anteriormente, a Reforma foi o maior avivamento da história da igreja, tendo como marco inicial a publicação das 95 Teses contra a venda de indulgências, por Martinho Lutero, em 31 de outubro de 1517. Depois de Lutero surgiram muitos outros reformadores, entre eles João Calvino. Enquanto Lutero foi o responsável pela recuperação da doutrina da justificação pela fé, Calvino recuperou a doutrina da soberania de Deus. E foi sobre essas doutrinas que se construiu a chamada Teologia Reformada, que nada mais é do que uma sistematização da doutrina bíblica.

Para que a Teologia Reformada fique mais clara a todos, gostaria de fazer uma breve confissão de fé sobre o que creio como cristão reformado. Não tenho a pretensão de ser exaustivo nesta confissão, pois para isso já existem as confissões de fé históricas. Desejo apenas apresentar a fé reformada de forma resumida para aqueles que ainda não a conhecem.

Em primeiro lugar, creio como reformado que a Bíblia deve ser interpretada seguindo o modelo histórico-gramatical. Isto significa que, por ser um livro inspirado pelo Espírito Santo (II Tm.3.16), a Bíblia deve ser interpretada em espírito de oração e na total dependência do Espírito, que ilumina nossa mente para que possamos compreender seu verdadeiro significado (I Co.2.10-16). Porém, como a Bíblia também é um livro humano, no sentido de que foi escrita por seres humanos usados por Deus (II Pe.1.21), devemos interpretá-la usando regras de interpretação, a que damos o nome de Hermenêutica Bíblica. Essa interpretação é histórico-gramatical porque deve levar em consideração o contexto histórico em que a passagem analisada foi escrita (autor, destinarários, etc) e também o contexto gramatical no qual está inserida (tipo de literatura, versículos anteriores e posteriores, etc).

Neste ponto discordo dos neo-pentecostais, que muitas vezes interpretam a Bíblia alegoricamente, atribuindo um significado simbólico ou espiritual diferente do significado pretendido pelo escritor original do texto. Também discordo dos dispensacionalistas que, sob o pretexto de interpretarem a Bíblia literalmente, acabam pegando as passagens em seu sentido literal mesmo em escritos poéticos e proféticos, cheios de símbolos e figuras, chegando a interpretações precipitadas sobre o texto bíblico.

Em segundo lugar, creio como reformado na justificação pela fé. A justificação é um ato legal, no qual Deus declara que o pecador é justo (Rm.3.22-26; 4.5), não por alguma obediência ou boa obra dele próprio (Ef.2.8), nem por algo operado nele pelo próprio Deus, mas somente por causa da obediência perfeita de Cristo à lei (Rm.5.18-19). Essa justificação é composta de dois processos: o negativo, que consiste no perdão de pecados (Rm.4.6-8), e o positivo, que consiste na imputação da justiça de Cristo (II Co.5.21). O pecador é justificado somente pela fé (Rm.3.28).

Neste ponto discordo de diversas visões sobre a justificação pela fé. Discordo dos católicos, que crêem que a justificação é uma mudança moral do pecador, uma infusão de justiça (e não imputação), confundindo justificação com santificação, e fazendo, assim, com que ela dependa não apenas da fé, mas também das boas obras (Rm.4.1-5). Discordo de muitos dispensacionalistas, que freqüentemente negam que a justificação consista também da imputação da justiça de Cristo, fazendo ela consistir apenas em perdão de pecados, e considerando a fé como sendo, ela própria, a justiça que vem de Deus. Discordo também daqueles que ensinam que no Antigo Testamento a justificação era pela obediência à lei, pois as Escrituras são muito claras em afirmar que o homem nunca foi justificado pela lei (Rm.3.20), e a fé sempre foi a condição para justificação, mesmo no Antigo Testamento (Rm.4.3).

Em terceiro lugar, creio como reformado na soberania de Deus. Por soberania de Deus deseja-se mostrar o controle absoluto de Deus sobre toda Sua criação (Mt.6.26; 10.29), e todos os acontecimentos passados, presentes e futuros, sendo Ele o Senhor da história (Dn.4.35). Deus não é somente o Criador, é também o Preservador do Universo, sustentando todas as coisas pela Palavra do Seu poder (Hb.1.3). Ele é quem determina tudo o que acontece, Sua vontade é totalmente soberana (Is.46.10), inclusive sobre nossas vontades (Fp.2.13). Logo, não existe, como muitos dizem, um livre-arbítrio. Existe sim uma liberdade e responsabilidade humana, mas que é limitada pela vontade soberana de Deus.

Nisto discordo de diversos ramos cristãos, em diversos aspectos. Discordo daqueles que crêem que a oração pode mudar a vontade de Deus, fazendo orações "determinatórias", pois em Deus não há mudança, nem sombra de variação (Tg.1.17); nossas orações são respondidas quando feitas segundo Sua vontade (Mt.6.10; I Jo.5.14) e mudam apenas acontecimentos. Discordo daqueles que pensam que certas coisas acontecem fora do controle de Deus, como catástrofes naturais, guerras ou o problema do mal no mundo, pois tudo isso está em Seus planos e foi por Ele determinado, como demonstram diversas passagens do Antigo e Novo Testamento (Gn.50.20; Rm.8.28). Discordo também daqueles que pensam poder determinar o seu próprio destino, como se o poder da vida ou da morte estivesse em suas próprias mãos (Dt.32.39).

Em quarto lugar, creio como reformado na soberania de Deus especificamente em relação à salvação (Rm.8.29-30). Isso foi perfeitamente expresso num documento chamado Cânones de Dort, elaborado entre 1618 e 1619, onde a salvação é apresentada em 5 pontos: depravação total, eleição incondicional, expiação limitada, chamada eficaz e perseverança dos santos.

Depravação total significa que o homem foi de tal forma afetado pelo pecado que é totalmente incapaz de se salvar sozinho ou mesmo contribuir, por pouco que seja, nessa salvação (Rm.3.9-20). A depravação total mostra que "todos pecaram e carecem da glória de Deus" (Rm.3.23), que os pecadores estão "mortos em delitos e pecados" (Ef.2.1) e que "todo aquele que comete pecado é escravo do pecado" (Jo.8.34). Um morto espiritual não pode fazer nada para viver, e um escravo não tem vontade própria. O poder para ressuscitá-lo espiritualmente tem que vir de fora, e para ser livre precisa antes ser liberto pelo Filho (Jo.8.36) . Por isso, ninguém pode escolher a Jesus por si próprio para ser salvo, nem fazer uso de um tipo de livre-arbítrio para aceitar ou rejeitar a salvação alcançada por Cristo.

Eleição incondicional significa que Deus, somente pela Sua soberana vontade, escolheu desde toda a eternidade (Ef.1.4) uma multidão de "todos os povos, tribos, línguas e nações" (Ap.7.9) para serem salvos de seus pecados e herdarem a vida eterna. Porém, Ele não escolheu a todos (Rm.9.13). Essa escolha não se baseou em nada de bom ou que agradasse a Deus presente nos próprios pecadores , ou alguma fé que Ele tivesse previsto pela Sua presciência (Rm.9.11); pelo contrário, foi totalmente pela Sua maravilhosa graça que Ele os escolheu soberanamente, para o louvor da Sua glória (Rm.9.14-18; Ef.1.5,6,11,12). Aqueles que não foram escolhidos estão destinados à condenação eterna no inferno, sem que Deus seja culpado pelo seu destino ou pelos seus pecados. Deus salva uns para demonstrar a Sua graça, e condena outros para demonstrar Sua justiça (Rm.9.19-24). Outra coisa interessante a se observar é que Deus não era obrigado a salvar ninguém de seus pecados, nem deixaria de ser um Deus amoroso se não o fizesse. Logo, o fato de Deus salvar uma multidão da humanidade por pura graça já é uma demonstração infinita de amor e misericórdia, acima de toda comparação.

Expiação limitada significa que o valor da morte de Cristo é absolutamente infinito e poderoso para perdoar todos os pecados daqueles que Deus escolheu, e apenas desses (Is.53.11-12). Dizer que Cristo morreu pelo mundo não significa que Ele morreu por todas as pessoas do mundo, mas por pessoas de todas as partes do mundo (Jo.3.16; I Jo.2.2). Logo, Cristo não morreu por todos os homens literalmente; apenas pelos escolhidos de Deus, que são Suas ovelhas e Sua Igreja (Jo.10.11,15; 17.9; Ef.5.5-27). Porém, essa expiação dá aos eleitos uma salvação eterna, pois, perdoados de todos os seus pecados pelo sacrifício de Cristo, e tendo sido imputada a eles a justiça de Cristo, eles já não podem ser condenados; eles tem, agora, a vida eterna (Jo.5.24).

Chamada eficaz nos fala sobre como Deus salva os Seus escolhidos. Deus usa a pregação do evangelho como meio de chamar os eleitos para Si mesmo (Rm.10.14-17). O evangelho deve ser pregado a todas as pessoas (Mc.16.15), pois não sabemos quem Deus escolheu, e a Palavra se tornará eficaz na vida daqueles que foram eleitos antes da fundação do mundo (At.13.48). O Espírito Santo irá agir na vida dos eleitos, operando a regeneração (ou novo nascimento- Jo.3.3-8) pela Palavra (I Pe.1.23), tornando-os dispostos a responderem positivamente ao convite do evangelho (At.16.14). É nesse momento que os eleitos recebem a capacidade de "escolher a Deus" e receber a Cristo (Jo.6.65), arrependendo-se de seus pecados e tendo fé em Cristo para salvação. Tanto o arrependimento como a fé são dons de Deus, dados no momento da regeneração (At.5.31; 11.18; Ef.2.8; Fp.1.29; II Tm.2.25). Por isso, ninguém deve se achar melhor que os outros por ter se arrependido ou ter tido fé, porque essa capacidade é algo sobrenatural dado por Deus. Dizer que essa chamada aos eleitos é eficaz significa que é impossível a um eleito resistir ao convite do Espírito Santo, pelo evangelho, no seu coração (Is.43.13).

Perseverança dos santos significa que aqueles que foram eleitos por Deus, desde o dia em que foram salvos, não poderão mais perder essa salvação (Jo.6.39; Rm.8.30; Fp.1.6). Como Cristo morreu por todos os seus pecados - passados, presentes e futuros - nenhum pecado pode, agora, levá-los à condenação: "Nenhuma condenação há para aqueles que estão em Cristo" (Rm.8.1). Uma vez salvo, salvo para sempre. Eles têm a vida eterna e, se é eterna, não pode acabar um dia (Jo.10.28-29). Nada, agora, pode separá-los do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor (Rm.8.35-39). Porém, isso não significa que os eleitos nunca mais pecarão, porque isso certamente irá acontecer (I Jo.1.8-10). Mas como eles foram regenerados, seu prazer agora não é mais o pecado, mas a santidade (I Jo.3:6-10). Uma pessoa que viva em pecado e alegue ter sido salva deve ter sua salvação seriamente questionada. Um cristão pode até cometer um pecado terrível, porém, esse pecado certamente requererá uma disciplina da parte de Deus, não com o objetivo de fazê-lo pagar pelo seu pecado, que ja foi pago na cruz por Cristo, mas com a finalidade de aperfeiçoá-lo, para que seja participante da santidade de Deus (Hb.12.5-13). Davi foi um exemplo dessa disciplina de Deus, no caso de Bate-Seba (II Sm.11 e 12).

Em quinto lugar, creio como reformado que o "fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre", como diz o Breve Catecismo de Westminster. Logo, um reformado tenta viver uma vida que glorifique a Deus em todos os aspectos, e entende que Deus é adorado e glorificado em todas as áreas de sua vida: no trabalho, na família, na sociedade, no lazer, na igreja, etc. "Quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus" (I Co.10.31), como diz o apóstolo Paulo. A busca da glória de Deus e a adoração cheia de amor que brota do coração de um cristão reformado é a aplicação prática e conseqüência da doutrina da soberania de Deus. Pode-se perceber isso no próprio Paulo que, depois de discorrer sobre o assunto da soberania de Deus dos capítulos 9 a 11 de Romanos, encerra o assunto com adoração: "Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem deu primeiro a ele, para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém." (Rm.11.33-36).

Este é um pequeno resumo do que eu creio como reformado. Digo com segurança e convicção que essa é a doutrina original dos evangélicos, mas que, infelizmente, foi abandonada com o tempo. Tenho buscado um retorno ao evangelho bíblico conforme ensinado pelos reformadores, nossos pais na fé, e creio que esse é o único caminho para um verdadeiro avivamento na igreja evangélica moderna. O segredo do avivamento não é inovar, mas olhar para o passado e restaurar o que se perdeu: "Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas." (Jr.6.16).

Minha sincera oração é que Deus utilize este artigo para abrir os olhos de muitos irmãos em Cristo às verdades esquecidas da Palavra de Deus, e que assim, despertos para o evangelho eterno, possam ter seus corações em chamas por essas mesmas verdades que custaram o sangue de nossos pais!

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Igreja Reformada, Sempre se Reformando

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Outubro é um mês especial para o protestantismo. No próximo dia 31, estaremos comemorando 489 anos de Reforma Protestante. No distante ano de 1517, no dia mencionado, o monge agostiniano Martinho Lutero afixava na porta da Catedral de Wittenberg as famosas 95 teses, em protesto contra os abusos que cria serem praticados pela Igreja Católica Romana.

De fato, o cristianismo se corrompera profundamente no decorrer da Idade Média. Crenças, dogmas e práticas pagãs foram incorporadas à religião cristã, deformando-a. Culto a Maria e aos santos, imagens, relíquias, indulgências, salvação pelas obras, repetição do sacrifício de Cristo, transubstanciação, missas em favor dos mortos, celibato, imoralidade do alto clero etc. As tradições foram suplantando as Sagradas Escrituras, a ponto de se chegar a proibir a leitura destas. O Papa, que presunçosamente se auto-proclamava representante de Cristo na terra, em verdade ocupou a posição deste e passou a comandar a Igreja como autoridade suprema.

Assim corria o cristianismo até o século XVI. Um dia, porém, Lutero descobriu as Escrituras, e sua vida foi mudada completamente. Ele, que vivia atormentado, temeroso, inseguro de não estar fazendo o suficiente para se salvar, ao ler Romanos 1:17, entendeu que a salvação não se dava por obras humanas, mas pela graça mediante a fé em Cristo Jesus. Indulgências, relíquias, missas, peregrinações e intercessões pelos mortos eram desnecessárias, pois somente pela fé em Cristo e na sua morte vicária nos tornávamos aceitáveis a Deus.

Tendo tomado conhecimento dessas verdades, Lutero se conscientizou do quanto a Igreja estava afastada da sua pureza e simplicidade original, do abandono da palavra de Deus. Inconformado com os abusos de sua época e com a distorção do cristianismo, publicou suas 95 teses no 31 de outubro de 1517. Deus, em sua soberania, a partir desse ato, iniciou um dos maiores avivamentos da história da igreja cristã. Posteriormente, surgiram figuras como Zwinglio, Calvino, Knox e os puritanos, que deram continuidade à Reforma iniciada por Lutero. E assim retornamos a um cristianismo bíblico e genuíno.

Ao me relembrar desse importante acontecimento, vem à minha mente este conhecido lema: “Ecclesia Reformata et Semper Reformanda Est” (Igreja Reformada Sempre se Reformando), de autoria do reformado holandês Gisbertus Voetius (1589-1676). Penso que o referido lema deve nos servir de moto e incentivo para atuarmos em prol de uma Nova Reforma. A igreja evangélica precisa de uma Nova Reforma.

Por vezes, o lema supracitado tem sido usado de maneira desvirtuada. Muitos o utilizam como pretexto para a introdução de novidades, modismos e idéias politicamente corretas no seio da igreja. Entendo, porém, que estar sempre se reformando não é sempre inovando. Não podemos nos conformar com este século, e ceder às suas pressões. Estar sempre se reformando é buscar continuamente o retorno ao cristianismo bíblico, reafirmando as doutrinas e práticas das Escrituras Sagradas.

Como a igreja é composta de homens falhos e pecadores, e em função das contingências e pressões históricas, ela sempre se afasta, em maior ou menor grau, da ortodoxia. Daí a necessidade de estar sempre em reforma. Nosso maior desafio, como povo de Deus, é servirmos a ele e executarmos seus propósitos, sem nos curvarmos aos “Baais” contemporâneos.

A igreja evangélica brasileira tem se afastado cada vez mais do cristianismo bíblico-reformado. Estamos imersos numa era de profundo misticismo, de caos doutrinário e eclesiástico. O evangelicalismo moderno não difere muito do catolicismo romano. Se os católicos têm as tradições, os evangélicos têm as supostas novas revelações do Espírito, as falsas profecias, que igualmente usurpam a autoridade suprema das Escrituras, levando o povo de Deus a andar por caminhos errados. Se os católicos têm a figura do Papa, os evangélicos têm os “apóstolos”, que de maneira arrogante assim se auto-intitularam, os quais também buscam roubar o senhorio de Cristo e dominar a igreja evangélica; lobos vorazes.

Não obstante o acesso fácil à Bíblia, a quantidade de exemplares existentes, nossa geração é extremamente ignorante acerca dela. Não a lêem, nem nela meditam, nem a estudam com a devida diligência. Não sabem manejar a palavra da verdade. O resultado disso são crentes superficiais, eternos meninos espirituais, inconstantes na fé, presas fáceis dos falsos mestres e falsas doutrinas.

O evangelicalismo moderno também possui os seus ídolos, superstições, crenças e práticas pagãs. A cultura gospel, a teologia da prosperidade e o movimento de batalha espiritual têm gerado inúmeros absurdos, de modo que hoje já se questiona se o termo evangélico ainda possui algum significado especial.

Igreja reformada, sempre se reformando. Mais do que nunca, esse lema precisa ser rememorado e posto em prática. A igreja evangélica brasileira necessita de uma Nova Reforma. Precisamos reafirmar a autoridade suprema e infalível das Escrituras, as antigas doutrinas da graça, a soberania de Deus e a centralidade da cruz de Cristo em nossa religião. Somente assim seremos abençoados e sairemos da confusão que toma conta do nosso cristianismo. Somente com uma boa teologia, bíblica e reformada, teremos uma prática cristã sadia e coerente.

Reformar-nos-emos, sob a graça de nosso Deus. Com oração, estudo da palavra, esforço e coragem, ele atuará em nosso favor e derramará um genuíno avivamento. “Seja Deus gracioso para conosco, e nos abençoe, e faça resplandecer sobre nós o seu rosto”. Amém.

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

Oração e jejum no dia 31 de outubro

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A Igreja do Evangelho Quadrangular, do Jardim Von Zubem, Campinas-SP, está convocando seus membros a fazer um jejum e orações no dia 31 de outubro. Esta data é muito significativa: é o aniversário da Reforma Protestante e ao mesmo tempo o dia em que se comemora o Halloween (Dia das Bruxas). Portanto, estaremos usando esta data para clamar a Deus por um avivamento na igreja evangélica moderna e pela salvação dos bruxos e demais pecadores do mundo.

Gostaria de estender essa convocação a todos os cristãos que me lêem. Vamos aproveitar este dia e levantar um clamor a Deus por um avivamento em nossos dias, uma nova reforma, que venha livrar a igreja evangélica das heresias neopentecostais e liberais, e levá-la de volta ao ensino bíblico, resgatado pela Reforma. E que esse avivamento venha influenciar o mundo de tal forma que comemorações como o Halloween sejam abandonadas e muitos pecadores sejam salvos.

Cristãos que me lêem, uni-vos com jejuns e orações e clamai: "Aviva a Tua obra, ó Senhor!" (Hc.3:2)

Culto em Comemoração ao Aniversário da Reforma Protestante

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O Ministério de Louvor Verdadeiros Adoradores, da Igreja do Evangelho Quadrangular, do Jardim Von Zubem, Campinas-SP, estará realizando, no dia 28 de outubro de 2006, das 19:00 às 21:30 horas, o Culto em Comemoração ao Aniversário da Reforma Protestante.

A Reforma Protestante foi o maior avivamento ocorrido na história da igreja. No dia 31 de outubro de 1517, num tempo de grande apostasia, Martinho Lutero, um homem levantado por Deus, elaborou 95 teses contra a venda de indulgências (perdão de pecados) pela igreja da Idade Média. Essa data marcou o início das igrejas evangélicas e de um avivamento sem precedentes na história: a Bíblia foi traduzida para diversas línguas e colocada nas mãos do povo; doutrinas fundamentais, como a justificação pela fé, foram recuperadas; a verdadeira adoração bíblica foi resgatada; o evangelho passou a ser pregado em diversas partes do mundo; etc.

Hoje, 489 anos depois, muitas igrejas chamadas evangélicas têm sofrido de males semelhantes ou piores aos da igreja da Idade Média. Diante de tal apostasia e pecado, sentimos a absoluta necessidade de um avivamento em nossas vidas e igrejas, um mover soberano e sobrenatural de Deus, derramando sobre nós do Seu Espírito e levando-nos de volta às verdades abandonadas da Palavra de Deus.

Estaremos realizando esse culto, cujo tema é “Aviva a Tua obra, ó Senhor!” (Hc.3:2), com o objetivo de relembrar o que Deus fez no passado através da Reforma, e levantar um clamor por um genuíno avivamento no presente. Haverá louvor com o Ministério Verdadeiros Adoradores e outros, pregação da Palavra, muita oração por avivamento e sorteio de livros e CDs.

Gostaria de convidar a todos os leitores deste blog que moram em Campinas e região a estar participando conosco desta grande comemoração. Tenho certeza que será uma grande benção!
 

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