sábado, 29 de julho de 2006

Manifesto Protestante

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MANIFESTO PROTESTANTE

À sociedade brasileira,

Nós, membros do grupo de discussões Cristãos Reformados, evangélicos de várias confissões protestantes, por meio deste manifesto, expressamos publicamente a nossa indignação quanto ao recente escândalo da "CPI dos Sanguessugas" que envolve parlamentares da bancada evangélica. Como cidadãos brasileiros e como cristãos é com tristeza e vergonha que lamentamos a falta de ética e os pecados da mentira, cobiça e furto apontados nas investigações em andamento nas CPIs e instâncias policiais e judiciais. Tais fatos são um desrespeito a cada brasileiro e uma afronta à nossa fé e a Deus – cujo Nome esses parlamentares carregam. Pedimos às autoridades competentes que exerçam justiça, com rigor e responsabilidade, na punição de todos comprovadamente culpados. Esperamos também que, com o mesmo rigor, sejam disciplinados em suas igrejas aqueles evangélicos tidos como culpados por estes pecados.

Por isso, é preciso que a sociedade brasileira tenha conhecimento de que muitos dos herdeiros históricos da "Reforma Protestante" não observam passivamente essas denúncias e nem aprovam a prática desonesta na política de qualquer cidadão – muito menos quando ela ocorre pelas mãos de evangélicos deste País. Vários de nós, como os integrantes deste grupo, não só protestamos contra o baixo nível ético que assola a nação, como também ficamos perplexos pela falta de compromisso doutrinário e espiritual com os princípios cristãos que presenciamos nas igrejas evangélicas brasileiras.

Lamentamos que, assim como o cristianismo do século XVI estava em decadência, manchado pela imoralidade de seu clero, escândalos de simonia, venda de indulgências, sede de poder, distorção doutrinária e podridão espiritual, as igrejas evangélicas brasileiras padeçam, hoje, de males semelhantes ou até piores que aqueles. Contra isso levantamos o nosso protesto, fundamentados nos cinco pilares da Reforma Protestante: Sola Scriptura, Solo Christo, Sola Gratia, Sola Fide e Soli Deo Gloria. Esses princípios divinos são extraídos das Sagradas Escrituras e denunciam a falta de temor a Deus, o caos ético e moral, e o vergonhoso procedimento de igrejas e líderes evangélicos presentes em nossa sociedade.

1. Sola Scriptura – somente pela Bíblia

Protestamos contra o abandono da Sola Scriptura. Reafirmamos que somente a Bíblia deve ser nossa única regra de fé e prática, a "carta magna" dos evangélicos. Assim o fazemos pois cremos que Deus é seu Autor. Hoje, muitos evangélicos pregam, não a Bíblia, mas o personalismo, o materialismo, o curandeirismo, o profetismo, a auto-ajuda e o misticismo. Tudo isso escorado em falsas visões e revelações, as quais contradizem o ensino claro da Palavra de Deus. Protestamos contra todo tipo de bispo, apóstolo, pastor que colocam sua palavra no mesmo grau de autoridade da Bíblia. Protestamos ainda contra a falta de incentivo dos líderes em estimular os leigos à leitura da Bíblia, criando, assim, um ambiente que permita o questionamento e o aferimento dos ensinos e do modo de vida da própria liderança.

2. Solo Christo - somente por Cristo

Protestamos contra o abandono da doutrina do Solo Christo. Reafirmamos que a salvação de cada homem ocorre somente por meio da obra infalível de Jesus Cristo. Muitas igrejas evangélicas brasileiras não mais anunciam "somente Cristo", mas sim a salvação mediante exorcismos, dízimos e uma obediência cega aos líderes, os quais, na verdade, são falsos mestres que, pregando a si mesmos, adicionam outras obras como necessárias à salvação. Assim, por sórdida ganância, enganam o povo. Essas mazelas no meio dos cristãos já foram profetizadas pelo próprio Messias, como bem demonstram os Evangelhos e as epístolas de Paulo, Pedro e João. Somos bem-aventurados quando perseguidos somente por causa de Cristo, mas jamais pelo mau testemunho dos cristãos evangélicos.

3. Sola Gratia – Somente pela graça

Protestamos contra o abandono da doutrina da Sola Gratia. Reafirmamos que é Deus, somente por sua graça, Quem vai ao encontro do homem para salvá-lo. Protestamos contra as mais variadas barganhas em troca de favores divinos. Protestamos contra um "evangelho" antropocêntrico, centrado no homem. Protestamos contra uma igreja que se preocupa mais com o marketing e outras formas de agradar sua clientela, do que proclamar a simples mensagem da maravilhosa graça por meio de Cristo Jesus aos pecadores. Protestamos contra a pregação de uma graça barata que não fala do arrependimento dos pecados e da necessidade do poder transformador de Deus para viver a vida cristã. Protestamos contra quaisquer outros meios estranhos aos ensinos das Escrituras para a obtenção da salvação ou qualquer outra graça.

4. Sola Fide - Somente pela fé

Protestamos contra o abandono da doutrina da Sola Fide. Reafirmamos, neste nobre estandarte do protestantismo, o ensino da justificação do homem somente pela fé, e não por meio de quaisquer obras. Assim cremos, pois a Bíblia afirma não haver obra humana capaz de cobrir o pecado. A fé, pura e simples em Jesus, é suficiente porque a Sua obra é suficiente para salvar o pior dos pecadores. Protestamos contra a ressurreição de novas formas de indulgências que obscurecem a salvação somente pela fé. Exemplo disso é a compra de “objetos abençoadores”, aquisição de produtos ungidos e pregação de fórmulas de prosperidade financeira e emocional. Protestamos contra coerção para a entrega de bens e dinheiro, abusando da boa fé e ingenuidade dos fiéis que, assim, tornam-se presas de lobos disfarçados de pastores. Protestamos contra o abandono do princípio de doações voluntárias segundo o exemplo do livro de Atos dos Apóstolos e a recomendação da Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios. Protestamos contra as igrejas evangélicas que associam a salvação à qualquer observância de regras extrabíblicas que não podem salvar o homem de seu pecado e muito menos conduzi-lo verdadeiramente a Deus.

5. Soli Deo Gloria – Somente para a glória de Deus

Acima de tudo, protestamos contra o abandono da doutrina da Soli Deo Gloria . Reafirmamos que toda glória seja dada somente a Deus. Protestamos contra evangélicos que glorificam suas próprias obras, suas igrejas, seus templos, seus líderes e seus fiéis, mas não glorificam com suas vidas ao Deus Único e Verdadeiro. Protestamos contra aqueles que quebram a Lei de Deus, especialmente os Dez Mandamentos, para executar sua própria lei, roubando, mentindo, enganando a sociedade brasileira e maculando o sublime nome de Cristo do qual afirmam que são discípulos. Protestamos contra a prática pecaminosa e imoral de agentes políticos para beneficiar somente às igrejas evangélicas ao invés de se buscar o bem comum a todos os cidadãos brasileiros. Protestamos contra líderes que oferecem seus púlpitos à propaganda política em troca de favores. Protestamos contra todos aqueles que ambicionam a sua própria glória. Protestamos contra a quebra egocêntrica dos dois maiores mandamentos: amar a Deus e ao próximo.

Final

Por fim, apesar da vergonha que temos tido por levar sobre nós o nome de "evangélicos", reconhecemos que nem todos os chamados por esta alcunha têm agido de forma vergonhosa e antibíblica. Há, ainda, pastores e igrejas vivendo de modo íntegro o verdadeiro Evangelho de Jesus. Existem os que verdadeiramente são perseguidos por causa de Cristo. Muitos ainda têm as Sagradas Escrituras como única regra de fé e prática. O rebanho do Pastor supremo tem sido guiado ainda por genuínos cajados. São cristãos evangélicos que, assim como nós, protestam contra igrejas que se dizem herdeiras do protestantismo, mas que se distanciaram dos fundamentos da Reforma Protestante.

Suplicamos a Deus que tenha misericórdia de nossas igrejas, pois sabemos que o julgamento do Supremo Juiz começará na Sua própria casa. Suplicamos pelo Brasil para que tenha governantes dignos da imagem de Deus que carregam – sejam eles evangélicos ou não. Suplicamos a Deus por nossos pecados. Humilhamo-nos diante de Cristo como cidadãos brasileiros e cristãos evangélicos suplicando ao Senhor por verdadeiras reformas em nossas vidas e neste amado País, o qual a Providência nos deu para bem cuidar como fiéis mordomos.

No mais, deixamos os leitores livres para promoverem a divulgação deste manifesto pelos meios legalmente permitidos, rogando que seu texto seja respeitado e preservado.

A Deus somente toda a glória!

Respeitosamente ao povo brasileiro,

Cristãos Reformados
Brasil, Julho de 2006.

sexta-feira, 28 de julho de 2006

A Santificação (Parte 3)

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Parte: [1] [2] [3] [4]

Os perigos do pecado na vida do cristão

“Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia. Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim, e o meu vigor se tornou em sequidão de estio.” (Salmo 32:3,4)

Já falei a respeito do que é santificação, bem como expliquei o porquê do cristão remar contra a maré, vivendo de modo santo. Agora, com a graça de Deus abordarei a questão dos perigos do pecado na vida do cristão, daquele que nasceu de novo.

Antes de tudo, relembremos, resumidamente, algumas coisas que a Bíblia diz a respeito do pecado. Primeiramente, “o pecado é a transgressão da lei” (I Jo 3:4). Deus deu ao homem mandamentos justos e bons, os quais, quando obedecidos, redundam em glória a Deus e em felicidade para nós. Porém, quando negligenciamos essas ordens do Soberano, não as cumprindo, estamos cometendo pecado. Assim, percebemos que o pecado é uma grande rebeldia do homem, é um insulto terrível ao Criador de todas as coisas, uma ofensa ao Rei do universo. É como se o pecador estivesse dizendo: “eu não me importo com Deus, o que Ele ordena não significa nada para mim; eu quero viver de acordo com os meus próprios desejos, eu sei mais do que ninguém o que é melhor para mim”. Pereça tal pensamento!

A malignidade do pecado se agrava mais ainda quando pensamos sobre o caráter Daquele que é ofendido. Deus é amor, a Sua bondade dura para sempre, Ele é cheio de misericórdia e ternura. Nele não há nada que seja impuro, Ele é santíssimo e cheio de graça. Veja, amigo, que não é contra alguém mau ou cruel que o homem peca, antes, é contra o mais amável do universo! Consideremos também os benefícios que Deus dá ao homem, como a vida, o alimento, a bebida, as vestes, a alegria do coração, e inumeráveis bênçãos. O homem peca contra Aquele que o abençoa diariamente, que o mantém vivo! Que ingratidão! O pecado é tolice, é odioso, é amargo, procede do diabo e produz a morte!

A grande conseqüência do pecado é a morte (Rm 3:23), se referindo à morte espiritual, à morte física, e também à segunda morte, no lago de fogo e enxofre (Ap 20:14). Porém nós, que cremos no Senhor Jesus Cristo, fomos salvos do pecado e do seu salário. Ele carregou os nossos pecados no calvário, ofereceu o sacrifício perfeito que remove todas as ofensas, tanto as passadas como as futuras, eternamente. Fomos vivificados pelo Espírito, jamais provaremos a segunda morte, absolutamente nunca haverá condenação para nós, porque todo o nosso pecado já foi punido em Cristo, e o “escrito de dívidas que era contra nós” foi cravado na cruz, de uma vez por todas.

Contudo, mesmo nós, que somos salvos, estamos sujeitos a pecar, enquanto estivermos nesse mundo. O apóstolo João é claríssimo quando diz: “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados...” (I Jo 1:8-9a). E o pecado gera conseqüências em nossas vidas, mesmo como filhos de Deus.

Antes de falar dos males que o pecado traz para nós, que somos justificados, gostaria de falar daquilo que o pecado não faz a nós. E o principal ponto é: o pecado não faz com que “percamos a nossa salvação”. Algumas pessoas acham que, se o cristão cometer terríveis pecados, pode deixar de ser salvo. Outros pensam que o cristão pode chegar ao ponto de blasfemar contra o Espírito Santo. Outros ainda sustentam que se o cristão pecar, e logo depois morrer, estará eternamente perdido. Porém, tal doutrina é antibíblica. Jamais podemos, irmãos, conceber que uma ovelha de Cristo seja lançada no inferno, pois Ele garantiu que “nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará de minha mão”. É impossível que alguém que tenha sido justificado possa no fim das contas ser condenado, pois senão o Juiz infalível teria errado em seu pronunciamento, teria voltado atrás com relação aos seus dons, que são irrevogáveis, e a gloriosa e triunfante passagem de Romanos 8:30 (“aos que justificou, a estes também glorificou”) seria uma grande mentira. Oh meus irmãos, o Filho de Deus teria falhado em sua missão, pois Ele diz: “a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6:39). É inconcebível que Deus não conclua a boa obra que começou em nós, o seu povo (Fl 1:6). Portanto, vocês, que já foram alcançados pela graça de Deus, saibam que não poderão perder a sua salvação.

Algum insensato poderá questionar: “ora, se eu jamais poderei perder a minha salvação, porque me preocupar com a santificação? Vou viver uma vida segundo os prazeres da carne, me deleitando no pecado!”. Esse tipo de frase me assusta. Pode proceder isso dos lábios de um cristão? Essa declaração é um tanto estranha a um filho de Deus. Aqueles que nasceram de Deus odeiam o pecado, e amam ao seu Senhor supremamente. Como poderiam cogitar em viver uma vida assim? Eles foram transformados, suas mentes foram renovadas, receberam um novo coração. Jamais diriam ou fariam uma coisa dessas. Não podem viver na prática do pecado.

O pecado também não faz com que o cristão deixe de ser filho de Deus, ou passe a ser menos amado por Ele. Não é porventura o Seu amor qualificado como eterno? (Jr 31:3). O amor de Deus é incondicional e imutável, Ele nos amou desde antes da fundação do mundo, Ele nos ama assim como ama a Cristo! (Jo 17:23).

Tendo considerado o que o pecado não faz ao cristão, consideremos alguns dos terríveis males que ele causa.

O primeiro deles que quero citar é que o pecado entristece a Deus. É por isso que o apóstolo Paulo disse: “não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção” (Ef. 4:30). Que pai não fica triste, quando o seu filho, a quem tanto ama e tanto faz bem, o desobedece? O prazer de Deus é ver os seus filhos andando santamente. Cristão, porventura você pode suportar a visão da tristeza do Pai por causa do seu pecado?

Uma segunda conseqüência do pecado é que ele traz a correção de Deus. Ele, como um bom Pai, repreende e castiga os Seus filhos, a quem ama. E o castigo pode ser dolorido, apesar de ser para o nosso supremo bem. Imagine, meu irmão, não só o olhar de tristeza do Pai, porém também o Seu olhar de desaprovação e repreensão, por causa do seu pecado! Se quando o nosso pai terreno fazia isso, o nosso coração já se partia, imagine quando o Pai eterno faz isso! Cuidado, irmão, Deus tem em suas mãos vara para corrigir seus filhos desleixados.

Devemos considerar também que o pecado traz muito pesar ao coração do cristão (Sl 32:3-4). Quando o salvo peca, ele se entristece profundamente, porque entende que ofendeu ao Seu Salvador a quem tanto ama. Ele fica privado da alegria da salvação, chega ao ponto de sentir vergonha de adentrar na presença de Deus, ou de participar das reuniões de culto a Deus, prejudicando assim até mesmo a sua comunhão com o Pai. E mais: o pecado nos impede de desfrutar da plenitude da vida cristã, da “vida abundante”, do “ser tomado pela plenitude de Deus”, etc. Também obscurece a nossa visão das coisas espirituais!

Todas essas terríveis conseqüências já bastariam, porém há mais. O pecado torna o crente desqualificado para o ministério, pode destruir o seu testemunho diante dos homens, dá ocasião a que os homens blasfemem de Cristo! Por causa do pecado, Deus pode até mesmo “encurtar” a vida do cristão, punindo-o com morte, para que o espírito seja salvo no dia de Cristo! (I Co 5:5)

Por fim, meu querido irmão, quero lhe fazer um apelo. Você observou as terríveis conseqüências do pecado? O seu efeito é devastador, mesmo para o coração do servo de Deus. Você continuará a viver uma vida desleixada com relação à santificação, ou a tolerar certos pecados em sua vida? Desperte, cristão! O pecado é perigoso para você, então aprenda a “passar de largo”, a se desviar do mal, a fugir do pecado! Evite as companhias que induzem ao pecado, os programas televisivos, os sites da internet, as músicas, ou qualquer outra coisa que porventura faça você tropeçar. Vigie e ore! Mortifique a sua natureza carnal! Ouça o clamor de Deus, amado irmão, quando Ele diz: “retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei” (II Co 6:17). O Soberano ordena, com todas as letras: “sede santos, porque Eu sou santo” (I Pe 1:16).

quarta-feira, 5 de julho de 2006

Novo blog reformado: Confraria Calvinista

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Foi criado um novo blog teológico reformado: Confraria Calvinista (www.calvinistas.blogspot.com). Esse blog reúne calvinistas de várias denominações protestantes que têm em comum a teologia reformada. Não deixe de acessar!

sábado, 1 de julho de 2006

Criada comunidade Teologia e Vida no Orkut

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Gostaria de anunciar aos leitores do blog Teologia e Vida que foi criada uma comunidade no Orkut ligada a esse blog. Se você é frequentador de nosso blog e tem acesso ao Orkut faça parte da comunidade Teologia e Vida. Que Deus te abençoe!

A Santificação (Parte 2)

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Parte: [1] [2] [3] [4]

O que há de diferente no cristão?

“Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus” (I Jo 3:9)

Observamos de modo explícito, tanto nas Escrituras como no presente século, o quanto o incrédulo odeia a Deus e ao Evangelho. Ele é indiferente à Palavra de Deus, não se importa com o Seu Criador, e só quer viver para agradar a si mesmo, amando mais as trevas do que a luz (Jo 3:19). O mundo zomba do cristão e o persegue, odeia ao Pai e ao Filho (Jo 15:18-26), e se deleita no pecado (2Ts 2:12). E não somente isso, mas “inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos” (Rm 1:22), inventando diversas teorias e filosofias para desonrar o único Deus. De tal modo é corrompido o mundo, que se tornou inimigo do Deus de toda graça.

Porém, enquanto vemos os incrédulos nessa miserável situação, podemos perceber que há pessoas diferentes deles, que amam a Deus e odeiam o pecado, e procuram viver uma vida de santificação. Enquanto muitos têm “coceira nos ouvidos”, não querendo ouvir a voz de Deus, há outros que dizem “fala, Senhor, porque o teu servo ouve” (I Sm 3:10). Há algo diferente nesses corações, que os leva a remar contra a maré. Enquanto o mundo tem prazer no pecado, eles se entristecem profundamente quando pecam. Enquanto o mundo considera Jesus como um bom homem, um simples mestre, ou até mesmo um mentiroso, há aqueles que o amam supremamente e se esforçam para andar segundo os seus mandamentos. Esses são os cristãos.

Diante disso, nos perguntamos: o que há de diferente nessas pessoas? O que ocorreu com o cristão, para que ele de tal modo abandone as suas maldades e busque a santificação? Por que dissemos no primeiro tópico deste estudo que só o cristão busca a santificação?

Em primeiro lugar, devemos entender que não é devido a algum mérito próprio, ou disposição natural do coração, pois as Escrituras declaram que “não há justo, nem um sequer.” (Rm 3:10). A condição original do homem é de pecado, rebeldia e maldade (Sl 51:5), e tão terrível é a sua condição que Jesus declarou que ninguém pode crer Nele, se o Pai não o conceder (Jo 6:44,65). Só o fato de alguém se tornar um cristão é um grande milagre.

A principal resposta que as Escrituras trazem é que o cristão busca a santificação porque uma grande maravilha ocorreu no seu coração. Uma obra que só Deus poderia realizar, e que Ele mesmo descreve pela boca do profeta Ezequiel: “Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis.” (Ez 36:26-27). Em outras palavras, o que há de diferente no cristão é que ele nasceu de novo (Jo 3:3-8). Deus, se compadecendo de pobres e miseráveis pecadores, concedeu-lhes um novo coração, implantou neles um princípio de vida, uma disposição gloriosa por conhecer a Deus e guardar os Seus mandamentos. O cristão, como todos os outros homens, esteve morto em delitos e pecados, porém Deus deu vida a este defunto espiritual, o levando a crer no Evangelho e a buscar um estilo de vida separado do pecado.

Assim, o cristão é um pecador convertido. Antes ele amava o pecado e não dava ouvidos à voz de Deus. Estava voltado para o mundo, e dava as costas a Deus. Porém, chegou o dia em que o Espírito Santo operou poderosamente em seu coração e, percebendo a sua terrível culpa e sua grande necessidade, volveu os seus olhos para Cristo, se arrependeu e creu. Agora, ele deu as costas ao mundo e se voltou para Deus, estando decidido em viver uma vida agradável a Deus. Cumpriu-se o que Paulo diz: “se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas”. (2Co 5:17). O milagre do novo nascimento!

O cristão, por ter nascido de novo, não pode viver na prática do pecado, como vimos no nosso primeiro versículo. Observe que o apóstolo João não diz “não deve”, como se referindo a um dever moral do cristão. É claro que o filho de Deus tem o dever moral de não andar no pecado. Mas João vai mais além: “não pode”! É impossibilidade, incapacidade mesmo. Aquele que nasceu de Deus não consegue viver na prática do pecado, de tal modo foi transformado o seu coração que ele não quer nem saber de viver uma vida de desobediência. Ele pode até cair em graves pecados, e se esfriar terrivelmente por um tempo, mas a “divina semente” está nele, e assim como a árvore boa não produz maus frutos, o cristão não vive em pecado.

Há um outro texto bíblico que também explica o motivo do cristão andar em santificação. Esse motivo é uma conseqüência do novo nascimento, porém é vital que o compreendamos, por causa da sua grande importância. Jesus o ensina em João 14:21,23: “Aquele tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e o que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele. (...) Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada”. O cristão guarda os mandamentos de Cristo porque o ama! Jesus foi e é muito bondoso para com o cristão, que o sabe muito bem. Ele é cheio de graça e verdade. O cristão entende um pouco do glorioso amor de Cristo, compreende que Ele deu a Sua vida para purificá-lo de todo pecado, que Ele o amou com amor eterno! Assim, “nós o amamos porque Ele nos amou primeiro” (1Jo 4:19)! O maior temor do cristão é ofender ao Seu Salvador, e não há maior desejo em sua alma do que glorificá-Lo e agradá-Lo. O cristão anela pelo “me manifestarei a ele”, o seu coração bate forte pelo seu Amado, não há nada no mundo que se compare a estar em comunhão com o seu Senhor. Ele se deleita em Deus! O nome de Jesus está escrito no coração de cada cristão!

Por fim, desejo fazer uma advertência a todos os meus leitores. Assim como guardar os mandamentos de Jesus é a grande evidência de que o amamos, viver na prática do pecado é a grande evidência de que não o amamos. Considere o que o apóstolo João diz: “Todo aquele que permanece nele não vive pecando; todo aquele que vive pecando não o viu, nem o conheceu.” (1Jo 3:6). Não se engane, amigo! Se alguém vive na prática do pecado, é sinal de que nunca conheceu a Cristo, nunca foi salvo, nunca nasceu de Deus. Se algum de vocês acha que pode servir a Cristo e, ao mesmo tempo, servir aos desejos da carne, saiba que isso é impossível. Ou se está com Cristo, ou se está fora Dele. Você pode professar todas as verdades cristãs, pode estar semanalmente no templo, pode até profetizar e fazer milagres em nome de Jesus, porém se você vive no pecado, é sinal de que você não conhece a Jesus. E se não se arrepender, ouvirá a terrível condenação do Rei: “nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade” (Mt 7:23).

Aquele que nasceu de novo, que de fato é um cristão, busca a santificação. Como está a sua vida? “Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos.” (2Co 13:5).
 

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