sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Igreja Reformada, Sempre se Reformando

3 comentários

Outubro é um mês especial para o protestantismo. No próximo dia 31, estaremos comemorando 489 anos de Reforma Protestante. No distante ano de 1517, no dia mencionado, o monge agostiniano Martinho Lutero afixava na porta da Catedral de Wittenberg as famosas 95 teses, em protesto contra os abusos que cria serem praticados pela Igreja Católica Romana.

De fato, o cristianismo se corrompera profundamente no decorrer da Idade Média. Crenças, dogmas e práticas pagãs foram incorporadas à religião cristã, deformando-a. Culto a Maria e aos santos, imagens, relíquias, indulgências, salvação pelas obras, repetição do sacrifício de Cristo, transubstanciação, missas em favor dos mortos, celibato, imoralidade do alto clero etc. As tradições foram suplantando as Sagradas Escrituras, a ponto de se chegar a proibir a leitura destas. O Papa, que presunçosamente se auto-proclamava representante de Cristo na terra, em verdade ocupou a posição deste e passou a comandar a Igreja como autoridade suprema.

Assim corria o cristianismo até o século XVI. Um dia, porém, Lutero descobriu as Escrituras, e sua vida foi mudada completamente. Ele, que vivia atormentado, temeroso, inseguro de não estar fazendo o suficiente para se salvar, ao ler Romanos 1:17, entendeu que a salvação não se dava por obras humanas, mas pela graça mediante a fé em Cristo Jesus. Indulgências, relíquias, missas, peregrinações e intercessões pelos mortos eram desnecessárias, pois somente pela fé em Cristo e na sua morte vicária nos tornávamos aceitáveis a Deus.

Tendo tomado conhecimento dessas verdades, Lutero se conscientizou do quanto a Igreja estava afastada da sua pureza e simplicidade original, do abandono da palavra de Deus. Inconformado com os abusos de sua época e com a distorção do cristianismo, publicou suas 95 teses no 31 de outubro de 1517. Deus, em sua soberania, a partir desse ato, iniciou um dos maiores avivamentos da história da igreja cristã. Posteriormente, surgiram figuras como Zwinglio, Calvino, Knox e os puritanos, que deram continuidade à Reforma iniciada por Lutero. E assim retornamos a um cristianismo bíblico e genuíno.

Ao me relembrar desse importante acontecimento, vem à minha mente este conhecido lema: “Ecclesia Reformata et Semper Reformanda Est” (Igreja Reformada Sempre se Reformando), de autoria do reformado holandês Gisbertus Voetius (1589-1676). Penso que o referido lema deve nos servir de moto e incentivo para atuarmos em prol de uma Nova Reforma. A igreja evangélica precisa de uma Nova Reforma.

Por vezes, o lema supracitado tem sido usado de maneira desvirtuada. Muitos o utilizam como pretexto para a introdução de novidades, modismos e idéias politicamente corretas no seio da igreja. Entendo, porém, que estar sempre se reformando não é sempre inovando. Não podemos nos conformar com este século, e ceder às suas pressões. Estar sempre se reformando é buscar continuamente o retorno ao cristianismo bíblico, reafirmando as doutrinas e práticas das Escrituras Sagradas.

Como a igreja é composta de homens falhos e pecadores, e em função das contingências e pressões históricas, ela sempre se afasta, em maior ou menor grau, da ortodoxia. Daí a necessidade de estar sempre em reforma. Nosso maior desafio, como povo de Deus, é servirmos a ele e executarmos seus propósitos, sem nos curvarmos aos “Baais” contemporâneos.

A igreja evangélica brasileira tem se afastado cada vez mais do cristianismo bíblico-reformado. Estamos imersos numa era de profundo misticismo, de caos doutrinário e eclesiástico. O evangelicalismo moderno não difere muito do catolicismo romano. Se os católicos têm as tradições, os evangélicos têm as supostas novas revelações do Espírito, as falsas profecias, que igualmente usurpam a autoridade suprema das Escrituras, levando o povo de Deus a andar por caminhos errados. Se os católicos têm a figura do Papa, os evangélicos têm os “apóstolos”, que de maneira arrogante assim se auto-intitularam, os quais também buscam roubar o senhorio de Cristo e dominar a igreja evangélica; lobos vorazes.

Não obstante o acesso fácil à Bíblia, a quantidade de exemplares existentes, nossa geração é extremamente ignorante acerca dela. Não a lêem, nem nela meditam, nem a estudam com a devida diligência. Não sabem manejar a palavra da verdade. O resultado disso são crentes superficiais, eternos meninos espirituais, inconstantes na fé, presas fáceis dos falsos mestres e falsas doutrinas.

O evangelicalismo moderno também possui os seus ídolos, superstições, crenças e práticas pagãs. A cultura gospel, a teologia da prosperidade e o movimento de batalha espiritual têm gerado inúmeros absurdos, de modo que hoje já se questiona se o termo evangélico ainda possui algum significado especial.

Igreja reformada, sempre se reformando. Mais do que nunca, esse lema precisa ser rememorado e posto em prática. A igreja evangélica brasileira necessita de uma Nova Reforma. Precisamos reafirmar a autoridade suprema e infalível das Escrituras, as antigas doutrinas da graça, a soberania de Deus e a centralidade da cruz de Cristo em nossa religião. Somente assim seremos abençoados e sairemos da confusão que toma conta do nosso cristianismo. Somente com uma boa teologia, bíblica e reformada, teremos uma prática cristã sadia e coerente.

Reformar-nos-emos, sob a graça de nosso Deus. Com oração, estudo da palavra, esforço e coragem, ele atuará em nosso favor e derramará um genuíno avivamento. “Seja Deus gracioso para conosco, e nos abençoe, e faça resplandecer sobre nós o seu rosto”. Amém.

Comentários

3 comentários em "Igreja Reformada, Sempre se Reformando"

André Aloísio Oliveira da Silva disse...
24 de outubro de 2006 17:38

Excelente artigo, irmão Lucas. De fato, mais do que nunca, a igreja evangélica como um todo necessita de uma nova reforma em sua doutrina e prática. É tempo de olharmos para os atos grandiosos do Senhor no passado e reavaliarmos nosso Cristianismo do presente. Precisamos retornar ao Senhor de todo o coração, guiados pela Palavra que permanece para sempre. Quero deixar aqui uma passagem para nossa reflexão:

"Vinde e tornemos para o SENHOR, porque Ele nos despedaçou e nos sarará. Fez a ferida e a ligará; depois de dois dias, nos revigorará; ao terceiro dia, nos levantará, e viveremos diante dEle. Conheçamos e prossigamos em conhecer ao SENHOR; como a alva, a sua vinda é certa; e Ele descerá sobre nós como a chuva; como chuva serôdia que rega a terra." (Oséias 6:1-3). Aleluia! Que assim seja!

Carlos disse...
29 de novembro de 2007 19:52

Excelente artigo meu amado!

infelizmente creio que o texto de Jr 4.22 se aplica ao cristão moderno: "O meu povo é tolo, eles não me conhecem”.“São crianças insensatas que nada compreendem. São hábeis para praticar o mal, mas não sabem fazer o bem".

Creio que um dos gdes problemas da Igreja atual é a ignorância total da sua história e como diz o ditado: "Um povo sem passado é um povo sem futuro".

Se a Igreja tão somente olhasse para os chamados Heróis da Fé, olhassem para sua história, olhassem para Bíblia, mas não, existe uma ignorância Bíblica tremenda dentro das Igrejas.

A Igreja se comprometeu tanto em se fazer atrativa para mundo, que ela nem sabe mais onde se perdeu e somente uma gde intervensão divina para mudar isso, pois "quem" quer deixar esse sistema de lucro e conforto.

Voltemos aos princípios da Reforma, ao Evangélho da "simplicidade", do compromisso com a Igreja e com Seu Senhor!

Creio que mais do que nunca, necessitamos de uma Reforma! Que Deus tenha misericórdia de nós e da Sua Igreja.

Pr Carlos

Jairo Soares disse...
30 de janeiro de 2017 10:20

Muito bom artigo mais tem muitos pontos que não concordo como uma vez salvo salvo para sempre é não apenas usando texto que favorece e o que dizer do amor João 3:16 vamos fazer uma breve exposição sobre esse texto é usemos as técnicas de interpretação.

 

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