sábado, 1 de julho de 2006

A Santificação (Parte 2)

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O que há de diferente no cristão?

“Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus” (I Jo 3:9)

Observamos de modo explícito, tanto nas Escrituras como no presente século, o quanto o incrédulo odeia a Deus e ao Evangelho. Ele é indiferente à Palavra de Deus, não se importa com o Seu Criador, e só quer viver para agradar a si mesmo, amando mais as trevas do que a luz (Jo 3:19). O mundo zomba do cristão e o persegue, odeia ao Pai e ao Filho (Jo 15:18-26), e se deleita no pecado (2Ts 2:12). E não somente isso, mas “inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos” (Rm 1:22), inventando diversas teorias e filosofias para desonrar o único Deus. De tal modo é corrompido o mundo, que se tornou inimigo do Deus de toda graça.

Porém, enquanto vemos os incrédulos nessa miserável situação, podemos perceber que há pessoas diferentes deles, que amam a Deus e odeiam o pecado, e procuram viver uma vida de santificação. Enquanto muitos têm “coceira nos ouvidos”, não querendo ouvir a voz de Deus, há outros que dizem “fala, Senhor, porque o teu servo ouve” (I Sm 3:10). Há algo diferente nesses corações, que os leva a remar contra a maré. Enquanto o mundo tem prazer no pecado, eles se entristecem profundamente quando pecam. Enquanto o mundo considera Jesus como um bom homem, um simples mestre, ou até mesmo um mentiroso, há aqueles que o amam supremamente e se esforçam para andar segundo os seus mandamentos. Esses são os cristãos.

Diante disso, nos perguntamos: o que há de diferente nessas pessoas? O que ocorreu com o cristão, para que ele de tal modo abandone as suas maldades e busque a santificação? Por que dissemos no primeiro tópico deste estudo que só o cristão busca a santificação?

Em primeiro lugar, devemos entender que não é devido a algum mérito próprio, ou disposição natural do coração, pois as Escrituras declaram que “não há justo, nem um sequer.” (Rm 3:10). A condição original do homem é de pecado, rebeldia e maldade (Sl 51:5), e tão terrível é a sua condição que Jesus declarou que ninguém pode crer Nele, se o Pai não o conceder (Jo 6:44,65). Só o fato de alguém se tornar um cristão é um grande milagre.

A principal resposta que as Escrituras trazem é que o cristão busca a santificação porque uma grande maravilha ocorreu no seu coração. Uma obra que só Deus poderia realizar, e que Ele mesmo descreve pela boca do profeta Ezequiel: “Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis.” (Ez 36:26-27). Em outras palavras, o que há de diferente no cristão é que ele nasceu de novo (Jo 3:3-8). Deus, se compadecendo de pobres e miseráveis pecadores, concedeu-lhes um novo coração, implantou neles um princípio de vida, uma disposição gloriosa por conhecer a Deus e guardar os Seus mandamentos. O cristão, como todos os outros homens, esteve morto em delitos e pecados, porém Deus deu vida a este defunto espiritual, o levando a crer no Evangelho e a buscar um estilo de vida separado do pecado.

Assim, o cristão é um pecador convertido. Antes ele amava o pecado e não dava ouvidos à voz de Deus. Estava voltado para o mundo, e dava as costas a Deus. Porém, chegou o dia em que o Espírito Santo operou poderosamente em seu coração e, percebendo a sua terrível culpa e sua grande necessidade, volveu os seus olhos para Cristo, se arrependeu e creu. Agora, ele deu as costas ao mundo e se voltou para Deus, estando decidido em viver uma vida agradável a Deus. Cumpriu-se o que Paulo diz: “se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas”. (2Co 5:17). O milagre do novo nascimento!

O cristão, por ter nascido de novo, não pode viver na prática do pecado, como vimos no nosso primeiro versículo. Observe que o apóstolo João não diz “não deve”, como se referindo a um dever moral do cristão. É claro que o filho de Deus tem o dever moral de não andar no pecado. Mas João vai mais além: “não pode”! É impossibilidade, incapacidade mesmo. Aquele que nasceu de Deus não consegue viver na prática do pecado, de tal modo foi transformado o seu coração que ele não quer nem saber de viver uma vida de desobediência. Ele pode até cair em graves pecados, e se esfriar terrivelmente por um tempo, mas a “divina semente” está nele, e assim como a árvore boa não produz maus frutos, o cristão não vive em pecado.

Há um outro texto bíblico que também explica o motivo do cristão andar em santificação. Esse motivo é uma conseqüência do novo nascimento, porém é vital que o compreendamos, por causa da sua grande importância. Jesus o ensina em João 14:21,23: “Aquele tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e o que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele. (...) Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada”. O cristão guarda os mandamentos de Cristo porque o ama! Jesus foi e é muito bondoso para com o cristão, que o sabe muito bem. Ele é cheio de graça e verdade. O cristão entende um pouco do glorioso amor de Cristo, compreende que Ele deu a Sua vida para purificá-lo de todo pecado, que Ele o amou com amor eterno! Assim, “nós o amamos porque Ele nos amou primeiro” (1Jo 4:19)! O maior temor do cristão é ofender ao Seu Salvador, e não há maior desejo em sua alma do que glorificá-Lo e agradá-Lo. O cristão anela pelo “me manifestarei a ele”, o seu coração bate forte pelo seu Amado, não há nada no mundo que se compare a estar em comunhão com o seu Senhor. Ele se deleita em Deus! O nome de Jesus está escrito no coração de cada cristão!

Por fim, desejo fazer uma advertência a todos os meus leitores. Assim como guardar os mandamentos de Jesus é a grande evidência de que o amamos, viver na prática do pecado é a grande evidência de que não o amamos. Considere o que o apóstolo João diz: “Todo aquele que permanece nele não vive pecando; todo aquele que vive pecando não o viu, nem o conheceu.” (1Jo 3:6). Não se engane, amigo! Se alguém vive na prática do pecado, é sinal de que nunca conheceu a Cristo, nunca foi salvo, nunca nasceu de Deus. Se algum de vocês acha que pode servir a Cristo e, ao mesmo tempo, servir aos desejos da carne, saiba que isso é impossível. Ou se está com Cristo, ou se está fora Dele. Você pode professar todas as verdades cristãs, pode estar semanalmente no templo, pode até profetizar e fazer milagres em nome de Jesus, porém se você vive no pecado, é sinal de que você não conhece a Jesus. E se não se arrepender, ouvirá a terrível condenação do Rei: “nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade” (Mt 7:23).

Aquele que nasceu de novo, que de fato é um cristão, busca a santificação. Como está a sua vida? “Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos.” (2Co 13:5).

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