sábado, 30 de dezembro de 2006

Plano de Leitura Bíblica Anual

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"Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite." (Salmo 1:1-2)

Em 2007 estarei iniciando, juntamente com vários irmãos, um Plano de Leitura Bíblica Anual, para lê-la de Gênesis a Apocalipse em um ano. Tenho feito isso todos os anos e tenho sido muito abençoado. Gostaria de estar convidando vocês a estarem fazendo esse plano comigo. Lendo apenas 3 capítulos nos dias da semana, e 4 capítulos aos sábados e domingos, todos os dias do ano, é possível terminar a leitura em um ano. Estejam passando esse convite a todos aqueles que vocês conhecem. Vamos mobilizar o máximo de cristãos a estarem conhecendo mais de Deus através dessa leitura anual.

Que Deus abençoe vocês!

Alguns Conselhos Importantes

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Esta carta foi escrita por André Aloísio a um amigo no dia 11/12/2006

Depois de todas as conversas que já tivemos sobre determinados assuntos bíblico-teológicos e da própria convivência que temos como irmãos em Cristo, achei por bem te escrever para te dar alguns conselhos que julgo importantes. Peço que não repare na linguagem informal que utilizei e na falta de estruturação do texto. Na verdade, escrevi esse texto com um pouco de pressa, sem me preocupar tanto com beleza de estilo.

Antes de mais nada, quero dizer que me alegro muito por ver em você um desejo muito grande de aprender mais sobre a Palavra de Deus. Não sei ainda que ministério o Senhor tem reservado para você no futuro, mas não duvido em nada que Ele ainda pode te fazer um ministro do evangelho, usado como instrumento de avivamento e conversão de almas. Tenho visto que Deus tem levantado muitos jovens em nossa geração que buscam conhecê-lo e adorá-lo segundo a verdade das Escrituras. Jovens inconformados com a atual situação da igreja e desejosos de uma reforma, tanto em sua doutrina quanto em sua vida. E me alegro por saber que você está entre esses jovens, juntamente comigo.

Independentemente de como o Senhor te usará no futuro, quero compartilhar com você alguns conselhos que tenho seguido em minha própria vida. Escrevendo ao jovem Timóteo, Paulo lhe exortou: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (II Tm.2:15). Eu tomei essa exortação para mim próprio como um estilo de vida que tenho buscado viver, desde quando me converti ao Senhor. Com base nela quero te aconselhar com respeito a algumas coisas.

Em primeiro lugar, nunca desanime de ler e estudar a Bíblia diariamente. E procure lê-la por completo a cada ano, todos os anos de sua vida. Se possível, faça um voto com relação a isso. Lembre-se que o homem bem-aventurado é aquele que “tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite” (Sl.1:2). Se quisermos ser obreiros aprovados precisamos ser profundos conhecedores da Lei do Senhor, meditando nela a todo o momento, dia e noite. Nunca coloque em seu coração que você não tem tempo para isso, pois é muito ocupado. Nós às vezes tentamos nos desculpar, porém, se fizermos um bom uso de nosso tempo, sempre o teremos para dedicar ao estudo diligente da Palavra.

Quando for ler ou estudar as Escrituras, faça com humildade, espírito de oração e na total dependência do Espírito Santo. Somente o autor das Sagradas Letras pode nos mostrar seu real significado. Porém, nunca despreze o estudo, achando que ele é desnecessário. Lembremo-nos que a Bíblia é um livro divino e humano ao mesmo tempo. Ela foi escrita por seres humanos, ainda que inspirados pelo Espírito. Precisamos analisar as passagens dentro de seu contexto histórico-gramatical, comparando-as com outras passagens das Escrituras, conferindo coisas espirituais com espirituais, deixando que a Bíblia interprete a si mesma.

Ao ler as Escrituras, nunca duvide ou rejeite algum ensinamento porque ele contraria o seu ego ou não te agrada. Existem muitas pessoas que só aceitam os ensinos bíblicos que lhe agradam. Gostam de falar do amor e da misericórdia de Deus, mas se calam quanto a Sua ira. Falam sobre as bênçãos que Deus tem para aqueles que se chegam a Cristo, mas vacilam ao pregar sobre o juízo vindouro e o inferno. E por que não falar também daqueles que insistem que o poder para determinar o próprio destino está nas mãos do homem, quando a Bíblia deixa bem claro que nosso destino está nas poderosas mãos de Deus, que faz conosco aquilo que bem entende? São pessoas que preferem ficar apegadas a conceitos filosóficos como o livre-arbítrio, do que a doutrinas vindas do céu como a soberania de Deus. Que você não seja como eles, mas que esteja apegado às verdades da Palavra, custe o que custar.

Nunca se esqueça que a Bíblia possui apenas um único sentido verdadeiro. Muitos defendem a possibilidade de uma mesma passagem possuir diversas interpretações. Esse é um erro terrível que a igreja católica cometeu no passado e muitos evangélicos têm repetido no presente. Ora, se algo é verdade, o oposto daquilo é mentira. Não há na Palavra lugar para meias verdades, nem para duplos sentidos. Uma vez que algo tenha se provado como verdadeiro, o oposto daquilo é mentiroso, e vice-versa. O verdadeiro sentido de uma certa passagem é sempre o sentido pretendido pelo escritor original, e não aquele que nós queríamos que fosse, movidos pelo erro.

Em segundo lugar, estude Teologia e livros que ajudem na compreensão da Palavra. Existem pessoas que acham isso desnecessário e, algumas, até acham perigoso. Dizem que devemos entender a Bíblia por conta própria, sem apelar para a opinião de outras pessoas. Concordo que é realmente muito bom que busquemos entender determinado texto das Escrituras por conta própria, pois aprendemos a colocar a mão na massa. Porém, não podemos chegar ao extremo do orgulho e achar que podemos compreender toda a Palavra de Deus sem a ajuda de irmãos mais capacitados, jogando no lixo mais de 2000 anos de conhecimento teológico que a igreja adquiriu. Isso é individualismo e egoísmo, características de todos os fundadores de seitas.

A Teologia é apenas uma sistematização das doutrinas bíblicas, ajudando na compreensão geral das Escrituras. Todo cristão que almeja ensinar na igreja seja como pastor, seja como professor, deve dar especial atenção a ela. Um dos maiores pregadores da história da igreja, Charles Spurgeon, disse certa vez: “Para serem pregadores eficazes devem ser teólogos autênticos”. Por negligenciar isso, muitos pregadores modernos estão pregando outro evangelho, que não é o evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. Talvez por preguiça ou por alegarem falta de tempo não se preocupam com o estudo teológico, tornando-se superficiais na apresentação da Palavra e ineficazes na pregação do evangelho.

Infelizmente, atualmente existem muitas “teologias”, muitas delas anti-bíblicas. A Teologia da Prosperidade é um exemplo. Por isso, te recomendo estudar a Teologia Reformada, que é a Teologia original dos evangélicos, por ser totalmente fundamentada nas Escrituras, como você irá comprovar por si mesmo.

Em terceiro lugar, seja um homem de oração. Não tenho receio de afirmar que o que realmente faz a diferença num pregador do evangelho é o tempo que dedica para estar diante da presença de Deus. Confesso que tenho sido falho nesse aspecto, pois não dedico mais do que meia hora por dia em oração. Para minha vergonha, Lutero disse certa vez que não conseguia passar menos que quatro horas por dia em oração, e veja como Deus o usou de forma tremenda. Claro, nós não temos tanto tempo disponível assim, mas não deveríamos nos contentar com o pouco tempo que temos passado aos pés do Salvador.

Precisamos ter um desejo ardente pela presença de Deus, como se fôssemos morrer se estivéssemos sem ela por um segundo que fosse. Devemos encarar a oração com a mesma seriedade com que encaramos nossa respiração. Veja quanto tempo consegue passar sem respirar, então saberá quanto tempo pode passar sem orar, pois a oração é a respiração do cristão. Precisamos aprender a clamar como o salmista: “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando irei e me verei perante a face de Deus?” (Sl.42:1-2).

Além disso, precisamos também conhecer o poder da oração. Temo que muitas vezes não estamos dando a devida consideração a isso. “A oração do justo pode muito em seus efeitos” (Tg.5:16), diz Tiago. Se passarmos a entender que Deus é soberano sobre todo o universo e que Ele nos ouve quando oramos segundo a Sua vontade (I Jo.5:14-15), então o segredo do poder estará em nossas mãos, e nada nos será impossível. Eu pergunto: que criatura pode frustrar os planos do Senhor de toda a terra? Ora, se isso é impossível, não é certo que quando oramos segundo Sua vontade certamente aquilo que pedimos Ele fará? Foi o que Jesus mesmo nos prometeu: “E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho” (Jo.14:13). Que possamos crer no poder da oração, pois ela é um meio escolhido por Deus para cumprir os Seus propósitos infalíveis.

Em quarto lugar, seja um homem santo. Não há como exagerar a santidade num cristão. Sabemos que não nos é possível alcançar uma santidade plena nesta vida (I Jo.1:8-10), porém devemos buscá-la com tanto zelo como se ela estivesse ao nosso alcance (Mt.5:48). Muito longe de nos desanimar no processo de santificação, o fato de que nunca estaremos totalmente livres do poder do pecado neste mundo deve nos incentivar a buscar com mais diligência ainda a santidade em nossas vidas. O cristão nunca estará tão santo que não possa se santificar mais. Olhe sempre para Jesus como o padrão de santidade que deve ser buscado e então você nunca poderá olhar para si mesmo sem reconhecer a grandeza dos seus pecados e a necessidade de mais santidade.

Lembre-se que a santificação, ao contrário da regeneração, é uma obra conjunta do homem e Deus. Paulo exorta: “Assim, pois, amados meus, como sempre obedecestes, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade..” (Fp.2:12,13). Ele primeiro mostra a necessidade de desenvolvermos nossa salvação (ou seja, santificar-nos) e logo em seguida já nos mostra que tanto o ato de santificar-se quanto a vontade para fazê-lo são operados em nós pelo próprio Deus. Isso deve evitar dois extremos: o primeiro, achar que como é Deus quem nos santifica, não devemos contribuir em nada nesse processo, nem tomar uma atitude contra o pecado; o segundo, achar que como a santificação é uma responsabilidade humana, temos que alcançá-la com nosso próprio esforço e empenho. Mantenha o equilíbrio, como Paulo na passagem acima, e não tente separar essas duas verdades com respeito à santificação.

Evite o pecado onde quer que se apresente; olhe para o Senhor e você estará voltando as costas ao pecado. Evite também a aparência do mal. Conheço muitos irmãos imprudentes que adoram fazer aquelas coisas que são lícitas, mas que não convém. Vivem sua vida cristã andando à beira do abismo. Não seja como eles. Rejeite não só o pecado, mas também tudo aquilo que pode te levar a ele. Evite lugares, pessoas e coisas que podem se tornar em tentação e te fazer pecar. Seja tão santo que as pessoas, ao olharem para você, possam ver a beleza da santidade estampada na sua face, como aconteceu com o mártir Estevão (At.6:15).

Em último lugar, não desista de buscar o avivamento com todo o teu ser. Como tenho dito e insistido sempre, a situação da igreja moderna é crítica ao extremo. As heresias já não estão mais fora da igreja, mas dentro dos seus arraiais, trazidas por liberais e neopentecostais. A situação é tal que penso ser muito provável estarmos vivenciando o que foi profetizado por Paulo: “Ora, o Espírito afirma expressamente que nos últimos tempos alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras, e que têm cauterizada a própria consciência.” (I Tm.4:1-2).

Porém, isso não deve nos desanimar de clamar a Deus com todo o nosso ser por um avivamento na igreja; na verdade, deve nos motivar. Alguns dizem que não devemos fazer isso, pois estamos vivendo os últimos dias e é inevitável que a apostasia aconteça. Mas eu não penso assim. A igreja enfrentou grandes períodos de apostasia no passado, e Deus, no tempo determinado, derramou abundantemente do Espírito, trazendo vida onde só havia morte, em resposta à oração de homens inconformados com este século. Por que Ele não faria o mesmo hoje? Sem dúvida nenhuma o avivamento não pode ser produzido por homem nenhum, nem é iniciado por uma iniciativa humana; ele depende totalmente da soberania de Deus, pois “o Espírito sopra onde quer” (Jo.3:8). Mas assim como em outras áreas existe uma responsabilidade humana, nós temos aqui também a responsabilidade de buscar essa renovação e reforma com todo o nosso coração.

Busque esse avivamento orando especificamente sobre isso, rejeitando toda nova doutrina e ensinando a verdade em amor. Apegue-se à Palavra Fiel e dela jamais se afaste. Que sua consciência esteja cativa às Escrituras e que nada, senão as próprias Escrituras, venha te fazer mudar de opinião. Seja cheio do Espírito Santo e de sabedoria. Busque o discernimento e julgue todas as coisas, retendo o que é bom. Cultive um amor pelas almas dos homens e pregue o evangelho em tempo e fora de tempo. Deus, no tempo determinado por Ele mesmo, irá tirar Sua Igreja da humilhante e vergonhosa situação na qual se encontra, usando vasos como você, eu e todos quantos amam a verdade.

Peço que medite e guarde todos esses conselhos em seu coração. Independente de quais ministérios o Senhor tem reservado para você, creio que esses conselhos te serão muito úteis. Meu desejo e oração é que Deus possa continuar te abençoando em todas as áreas de sua vida, e que você possa crescer a cada dia na graça e no conhecimento do Senhor Jesus Cristo, vivendo uma vida para a glória de Deus!

sábado, 25 de novembro de 2006

O Sacerdócio Universal- Meditação sobre o capítulo 8 de Levíticos

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Esta Meditação do Domingo foi ministrada por André Aloísio no dia 18 de junho de 2006, na abertura da Escola Bíblica, na Igreja do Evangelho Quadrangular do Jardim dos Oliveiras, Campinas-SP.

Nossa meditação deste domingo está baseada no capítulo 8 de Levíticos. Desejo ler com os irmãos apenas o versículo 30, mas peço a vocês que leiam todo o capítulo em casa: “Tomou Moisés também do óleo da unção e do sangue que estava sobre o altar e o aspergiu sobre Arão e as suas vestes, bem como sobre os filhos de Arão e as suas vestes; e consagrou a Arão, e as suas vestes, e a seus filhos, e as vestes de seus filhos”.

O capítulo 8 de Levíticos trata da consagração de Arão e seus filhos para o sacerdócio levítico. No versículo que lemos Moisés tomou o óleo da unção e o sangue de um carneiro sacrificado sobre o altar e o aspergiu sobre Arão e seus filhos, para consagrá-los como sacerdotes a Deus. Esse é o versículo chave do capítulo. Baseado nesta leitura gostaria de falar rapidamente sobre o sacerdócio universal dos crentes, uma doutrina de extrema importância que foi resgatada pela Reforma Protestante no século XVI.

Antes disso, porém, devemos entender a função de um sacerdote na Bíblia. O sacerdote no Antigo Testamento era um descendente de Arão, por sua vez descendente de Levi (daí o nome levita). Assim como o profeta é um representante de Deus para os homens, o sacerdote era um representante dos homens para Deus. O sacerdote funcionava como mediador entre Deus e os homens, tendo responsabilidades e privilégios. Sua principal responsabilidade era o oferecimento dos sacrifícios a Deus em favor dos homens e seu principal privilégio o acesso à presença de Deus, no tabernáculo e, posteriormente, no templo. Porém, dentre todos os sacerdotes, apenas um, o sumo sacerdote, tinha o privilégio de entrar uma vez por ano no Santo dos Santos, um lugar especial do tabernáculo separado do Santo lugar por um véu, onde se encontrava a Arca da Aliança e a presença de Deus.

Com a Nova Aliança tudo muda. Cristo vem ao mundo e, sendo o verdadeiro sumo sacerdote, se oferece na cruz de uma vez por todas como sacrifício perfeito pelos pecados de muitos. (Hb.9:26-28). Lemos nos evangelhos que neste momento, “o véu do santuário se rasgou em duas partes de alto a baixo” (Mt. 27:51). O véu representava aquilo que impedia o homem de se achegar diretamente à presença de Deus, e ele havia sido removido! Cristo, como sumo sacerdote, passa a ser o único mediador entre Deus e os homens e por meio dEle todos os crentes têm pleno acesso à presença de Deus.

Agora, todo crente em Jesus é consagrado como sacerdote a Deus, pelo sangue de Jesus e com a unção do Espírito Santo: “Digno és de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra” (Ap.5:9,10), “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (I Pe.2:9).

Como sacerdotes, todos os crentes têm a responsabilidade de oferecer “a Deus, sempre, sacrifício de louvor, que é fruto de lábios que confessam o seu nome” (Hb.13:15) e o privilégio de penetrar no verdadeiro Santo dos Santos, que se encontra no céu, como lemos na Carta aos Hebreus: “Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus, aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura” (Hb.10:19-22).

Irmãos, hoje podemos nos aproximar de Deus em oração e adoração sem a necessidade de intermediários, pois há apenas um Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus. Podemos nos aproximar das Escrituras, em humildade e submissão ao Espírito Santo, e entender o seu verdadeiro significado. Teu pastor, professor, líder ou ministro de louvor não é absolutamente necessário para que você mantenha comunhão com Deus e ouça Sua voz nas Escrituras, pois cada um de nós é um sacerdote consagrado a Deus, com privilégios e responsabilidades. Essa é a doutrina do sacerdócio universal, recuperada pelos nossos antepassados e que faremos bem em crer e praticar.

Que Deus abençoe vocês!

sábado, 28 de outubro de 2006

A Santificação (Parte 4)

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Parte: [1] [2] [3] [4]

A batalha contra o pecado

“Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer.” (Gl 5:17)

Chegamos ao último tópico de nossa série sobre a santificação, e terminaremos de modo bem prático, abordando a batalha individual do crente contra o pecado.

Em primeiro lugar, precisamos estabelecer que a batalha contra o pecado só começa na vida de uma pessoa quando esta é salva pela graça de Deus. No seu estado natural, o ser humano é dominado pela sua natureza pecaminosa, tem grande prazer no pecado e não pensa em se afastar dele. Não há fome e sede de justiça, é escravo do pecado e o pratica deliberadamente. (Jo 8:34, Ef 2:3, Rm 3:9-18)

E o cristão, mesmo tendo sido regenerado, ainda possui uma natureza carnal (Gl 5:17; Rm 7:18). A culpa e a penalidade do pecado foi de todo removida, ele está plenamente justificado, porém a semente da corrupção ainda permanece, o pecado original persiste, de modo que o cristão só será plenamente livre da presença do pecado na glorificação final. Assim, observamos de modo claro nas Escrituras que há estes dois princípios operando no crente: a carne, que é a sua natureza pecaminosa, e o Espírito, que operou a regeneração e que habita nele. Podemos dizer que, na conversão de um homem, a carne é gravemente ferida, porém a sua influência continua existindo.

A presença do Espírito na vida do cristão explica o porquê dele viver uma vida de santificação e temor de Deus. Este Espírito opera eficazmente nele, trabalha profundamente em seu coração e o leva a amar e buscar a Deus. E a continuidade da presença da “carne” também nos dá o motivo pelo qual os filhos de Deus ainda enfrentam dificuldades no seu processo de santificação, caem em tentações e ficam aquém do estado em que tanto gostariam de estar.

Talvez você, meu irmão, esteja com problemas na sua batalha pessoal contra o pecado, e com a graça de Deus quero mostrar a você algumas verdades para o consolo e fortalecimento do seu coração. Há um texto clássico sobre o assunto, que é o que está na carta de Paulo aos Filipenses, capítulo 2, versos 12 e 13:

“(...) desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.”

Este texto fala do desenvolvimento da nossa salvação, que é um outro modo de se referir à santificação, e ele nos apresenta duas facetas desse processo: o dever do cristão e o agir de Deus; a parte do homem e a parte de Deus.

O papel do crente na santificação
A santificação é um processo que exige grande esforço do cristão. Enquanto a regeneração é uma ação instantânea e totalmente divina onde o homem é passivo (Ef 2:1), a santificação requer uma participação humana ativa. Dentre muitos textos, seleciono dois que demonstram claramente qual é o papel do filho de Deus: “Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena” (Cl 3:5) e “Exercita-te, pessoalmente, na piedade” (1 Tm 4:7).

Em outras palavras, devemos mortificar a carne e alimentar o nosso espírito. Se alimentarmos a nossa natureza perversa, ela se tornará cada vez mais forte e freqüentemente cairemos, mas se nutrirmos a nossa natureza espiritual, certamente seremos vitoriosos contra o pecado.

A nossa natureza terrena se fortalece sempre quando damos lugar à carne e relaxamos nos nossos deveres espirituais. Quando deixamos de lado a oração, o estudo e meditação nas Escrituras, a comunhão com os irmãos, enfim, aqueles meios pelos quais Deus nos concede graça, a carne ganha força. Isso também acontece quando passamos a permitir que as coisas do mundo entrem em nosso coração, que a sua filosofia ganhe algum espaço em nossa mente, que os seus caminhos influenciem a nossa vida.

Por isso, meus irmãos, eu os conclamo a se exercitarem na oração e jejum. Orem sem cessar, estejam sempre em espírito de oração. Quanto mais estivermos em comunhão com Deus, mais nos deleitaremos Nele e aborreceremos o pecado. Não desprezem também a leitura da Palavra! É na Bíblia que encontramos consolo e força para caminhar, é ela quem nos mostra a vileza do pecado e a santidade de Deus. Louvem o Seu nome em todo tempo, porque Ele habita em meio aos louvores e inspira a gratidão que nos impede de pecar contra o Senhor. Estejam sempre na comunhão dos irmãos, porque eles são nossos companheiros de corrida, que nos ajudam e precisam da nossa ajuda. Se envolvam com a obra de Deus, pratiquem o bem, ocupem a mente com pensamentos santos, e não terão tempo para as maldades do mundo.

Devemos estar em constante vigilância, irmãos. “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação”, disse o nosso Senhor. O pecado não dá trégua, o velho homem está sempre à procura de uma oportunidade para vir à tona. O diabo está sempre colocando as suas armadilhas para nos fazer cair, por isso temos sempre que resistir. Não se deixe tomar pelo sono, esteja com os olhos bem abertos, fique atento!

Precisamos continuamente nos encher do Espírito Santo, pois Ele é o nosso Aliado contra o pecado. Se há um texto bíblico que resume tudo isso que temos dito, é este: “andai no Espírito, e jamais satisfareis à concupiscência da carne” (Gl 5:16).

O papel de Deus na santificação
Falamos do dever do cristão na santificação, mas graças a Deus, meus irmãos, não estamos sozinhos na batalha. O Deus que iniciou a Sua boa obra em nós não nos desampara nunca, e a Sua mão está continuamente operando em nosso favor. Lemos em nosso texto que “Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar”, ou seja, Ele opera em nossos corações e nos torna desejosos a perseverar na santidade. Ainda que haja o nosso esforço, tanto o nosso querer como o nosso realizar provém Dele, é Ele quem está agindo em nós maravilhosamente. É como diz o profeta Ezequiel: “Porei dentro de vós o meu Espírito e farei com que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis” (Ez 36:27).

Há outros textos bíblicos que mostram a ação de Deus no processo da santificação, o Seu poder em nossas vidas, e quero citar alguns deles para a sua consolação.

O apóstolo Paulo, na sua grande exposição sobre a segurança eterna dos santos, disse que “o Espírito, semelhantemente, nos ajuda em nossa fraqueza; pois não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis” (Rm 8:26). Ah, meus irmãos, o Espírito Santo é o nosso Grande Companheiro na vida cristã, e Ele nos ajuda em todas as nossas fraquezas. É Ele quem nos faz vencer o pecado e nos levanta quando caímos!

Lemos também que o poder de Deus “se aperfeiçoa na fraqueza” (2 Co 12:9). Cristão, talvez você esteja olhando para você mesmo e contemplando um cristão cheio de fraquezas e falhas, mas eu o desafio a olhar para o poder de Deus que opera em você. Sim, o poder “que Ele exerceu sobre Cristo, ressuscitando-o dos mortos” (Ef 1:20), esta “suprema grandeza do Seu poder” (Ef 1:19) está em atividade em nossas vidas!

E que dizer de Hebreus 4:15-16? “Porque não temos Sumo Sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi Ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado. Acheguemo-nos, portanto, confiadamente, junto ao trono da graça, a fim de recebermos misericórdia e acharmos graça para socorro em ocasião oportuna”. Você percebe que Jesus sabe o que é ser tentado? Ele foi grandemente tentado em todas as áreas, por isso Ele entende o quão difícil é suportar a tentação e pode se compadecer de nós para nos ajudar. Cristão, por acaso as tentações tem sido muito violentas e você tem sucumbido diante delas? O Seu Salvador se compadece de você, então vá com ousadia ao trono da graça e implore a Sua ajuda! Ele socorre você!

Regozijem-se no Senhor, filhos de Deus! “Ora, Àquele que é poderoso para vos guardar de tropeços e para vos apresentar com exultação, imaculados diante da sua glória” (Judas 24). “O mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. Fiel é o que vos chama, o qual também o fará.” (2 Ts 5:23,24). “Todo aquele que é nascido de Deus vence o mundo” (1 Jo 5:4).

E quando eu cair em pecado, o que farei? “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo, para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda injustiça” (I Jo 1:9)! Aleluia!

Conclusão
Enfim, meus irmãos, falamos um pouco sobre a nossa batalha diária contra o pecado. Vimos que temos o dever de nos esforçar, e que ao mesmo tempo Deus nos ajuda tremendamente. Qual será a sua reação diante dessas verdades? Você que tem caído em pecado e está em sonolência espiritual, continuará a ser relaxado em sua vida? E você que tem se desesperado porque não tem conseguido vencer certos pecados, vai ignorar o Deus que o ama e ajuda?

Com esse tema terminamos nossa série sobre a santificação, que o Senhor abençoe os leitores tremendamente, e que todos nós carreguemos como bandeira a “santidade ao SENHOR”!

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

Em que crê um cristão reformado?

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Muitos irmãos em Cristo devem ter percebido que me identifico sempre como um "cristão reformado", apesar de, logicamente, ser um evangélico. Talvez alguns já indagaram a si próprios sobre o que significa essa expressão, porém nunca tiveram coragem de perguntar. Escrevo este artigo com o objetivo de satisfazer a curiosidade de todos aqueles que ficam com um nó na cabeça sempre que ouvem ou lêem essa expressão de minha parte.

Um cristão reformado é alguém que crê na doutrina bíblica conforme expressa pela Teologia Reformada, elaborada no tempo da Reforma Protestante. Como já foi dito anteriormente, a Reforma foi o maior avivamento da história da igreja, tendo como marco inicial a publicação das 95 Teses contra a venda de indulgências, por Martinho Lutero, em 31 de outubro de 1517. Depois de Lutero surgiram muitos outros reformadores, entre eles João Calvino. Enquanto Lutero foi o responsável pela recuperação da doutrina da justificação pela fé, Calvino recuperou a doutrina da soberania de Deus. E foi sobre essas doutrinas que se construiu a chamada Teologia Reformada, que nada mais é do que uma sistematização da doutrina bíblica.

Para que a Teologia Reformada fique mais clara a todos, gostaria de fazer uma breve confissão de fé sobre o que creio como cristão reformado. Não tenho a pretensão de ser exaustivo nesta confissão, pois para isso já existem as confissões de fé históricas. Desejo apenas apresentar a fé reformada de forma resumida para aqueles que ainda não a conhecem.

Em primeiro lugar, creio como reformado que a Bíblia deve ser interpretada seguindo o modelo histórico-gramatical. Isto significa que, por ser um livro inspirado pelo Espírito Santo (II Tm.3.16), a Bíblia deve ser interpretada em espírito de oração e na total dependência do Espírito, que ilumina nossa mente para que possamos compreender seu verdadeiro significado (I Co.2.10-16). Porém, como a Bíblia também é um livro humano, no sentido de que foi escrita por seres humanos usados por Deus (II Pe.1.21), devemos interpretá-la usando regras de interpretação, a que damos o nome de Hermenêutica Bíblica. Essa interpretação é histórico-gramatical porque deve levar em consideração o contexto histórico em que a passagem analisada foi escrita (autor, destinarários, etc) e também o contexto gramatical no qual está inserida (tipo de literatura, versículos anteriores e posteriores, etc).

Neste ponto discordo dos neo-pentecostais, que muitas vezes interpretam a Bíblia alegoricamente, atribuindo um significado simbólico ou espiritual diferente do significado pretendido pelo escritor original do texto. Também discordo dos dispensacionalistas que, sob o pretexto de interpretarem a Bíblia literalmente, acabam pegando as passagens em seu sentido literal mesmo em escritos poéticos e proféticos, cheios de símbolos e figuras, chegando a interpretações precipitadas sobre o texto bíblico.

Em segundo lugar, creio como reformado na justificação pela fé. A justificação é um ato legal, no qual Deus declara que o pecador é justo (Rm.3.22-26; 4.5), não por alguma obediência ou boa obra dele próprio (Ef.2.8), nem por algo operado nele pelo próprio Deus, mas somente por causa da obediência perfeita de Cristo à lei (Rm.5.18-19). Essa justificação é composta de dois processos: o negativo, que consiste no perdão de pecados (Rm.4.6-8), e o positivo, que consiste na imputação da justiça de Cristo (II Co.5.21). O pecador é justificado somente pela fé (Rm.3.28).

Neste ponto discordo de diversas visões sobre a justificação pela fé. Discordo dos católicos, que crêem que a justificação é uma mudança moral do pecador, uma infusão de justiça (e não imputação), confundindo justificação com santificação, e fazendo, assim, com que ela dependa não apenas da fé, mas também das boas obras (Rm.4.1-5). Discordo de muitos dispensacionalistas, que freqüentemente negam que a justificação consista também da imputação da justiça de Cristo, fazendo ela consistir apenas em perdão de pecados, e considerando a fé como sendo, ela própria, a justiça que vem de Deus. Discordo também daqueles que ensinam que no Antigo Testamento a justificação era pela obediência à lei, pois as Escrituras são muito claras em afirmar que o homem nunca foi justificado pela lei (Rm.3.20), e a fé sempre foi a condição para justificação, mesmo no Antigo Testamento (Rm.4.3).

Em terceiro lugar, creio como reformado na soberania de Deus. Por soberania de Deus deseja-se mostrar o controle absoluto de Deus sobre toda Sua criação (Mt.6.26; 10.29), e todos os acontecimentos passados, presentes e futuros, sendo Ele o Senhor da história (Dn.4.35). Deus não é somente o Criador, é também o Preservador do Universo, sustentando todas as coisas pela Palavra do Seu poder (Hb.1.3). Ele é quem determina tudo o que acontece, Sua vontade é totalmente soberana (Is.46.10), inclusive sobre nossas vontades (Fp.2.13). Logo, não existe, como muitos dizem, um livre-arbítrio. Existe sim uma liberdade e responsabilidade humana, mas que é limitada pela vontade soberana de Deus.

Nisto discordo de diversos ramos cristãos, em diversos aspectos. Discordo daqueles que crêem que a oração pode mudar a vontade de Deus, fazendo orações "determinatórias", pois em Deus não há mudança, nem sombra de variação (Tg.1.17); nossas orações são respondidas quando feitas segundo Sua vontade (Mt.6.10; I Jo.5.14) e mudam apenas acontecimentos. Discordo daqueles que pensam que certas coisas acontecem fora do controle de Deus, como catástrofes naturais, guerras ou o problema do mal no mundo, pois tudo isso está em Seus planos e foi por Ele determinado, como demonstram diversas passagens do Antigo e Novo Testamento (Gn.50.20; Rm.8.28). Discordo também daqueles que pensam poder determinar o seu próprio destino, como se o poder da vida ou da morte estivesse em suas próprias mãos (Dt.32.39).

Em quarto lugar, creio como reformado na soberania de Deus especificamente em relação à salvação (Rm.8.29-30). Isso foi perfeitamente expresso num documento chamado Cânones de Dort, elaborado entre 1618 e 1619, onde a salvação é apresentada em 5 pontos: depravação total, eleição incondicional, expiação limitada, chamada eficaz e perseverança dos santos.

Depravação total significa que o homem foi de tal forma afetado pelo pecado que é totalmente incapaz de se salvar sozinho ou mesmo contribuir, por pouco que seja, nessa salvação (Rm.3.9-20). A depravação total mostra que "todos pecaram e carecem da glória de Deus" (Rm.3.23), que os pecadores estão "mortos em delitos e pecados" (Ef.2.1) e que "todo aquele que comete pecado é escravo do pecado" (Jo.8.34). Um morto espiritual não pode fazer nada para viver, e um escravo não tem vontade própria. O poder para ressuscitá-lo espiritualmente tem que vir de fora, e para ser livre precisa antes ser liberto pelo Filho (Jo.8.36) . Por isso, ninguém pode escolher a Jesus por si próprio para ser salvo, nem fazer uso de um tipo de livre-arbítrio para aceitar ou rejeitar a salvação alcançada por Cristo.

Eleição incondicional significa que Deus, somente pela Sua soberana vontade, escolheu desde toda a eternidade (Ef.1.4) uma multidão de "todos os povos, tribos, línguas e nações" (Ap.7.9) para serem salvos de seus pecados e herdarem a vida eterna. Porém, Ele não escolheu a todos (Rm.9.13). Essa escolha não se baseou em nada de bom ou que agradasse a Deus presente nos próprios pecadores , ou alguma fé que Ele tivesse previsto pela Sua presciência (Rm.9.11); pelo contrário, foi totalmente pela Sua maravilhosa graça que Ele os escolheu soberanamente, para o louvor da Sua glória (Rm.9.14-18; Ef.1.5,6,11,12). Aqueles que não foram escolhidos estão destinados à condenação eterna no inferno, sem que Deus seja culpado pelo seu destino ou pelos seus pecados. Deus salva uns para demonstrar a Sua graça, e condena outros para demonstrar Sua justiça (Rm.9.19-24). Outra coisa interessante a se observar é que Deus não era obrigado a salvar ninguém de seus pecados, nem deixaria de ser um Deus amoroso se não o fizesse. Logo, o fato de Deus salvar uma multidão da humanidade por pura graça já é uma demonstração infinita de amor e misericórdia, acima de toda comparação.

Expiação limitada significa que o valor da morte de Cristo é absolutamente infinito e poderoso para perdoar todos os pecados daqueles que Deus escolheu, e apenas desses (Is.53.11-12). Dizer que Cristo morreu pelo mundo não significa que Ele morreu por todas as pessoas do mundo, mas por pessoas de todas as partes do mundo (Jo.3.16; I Jo.2.2). Logo, Cristo não morreu por todos os homens literalmente; apenas pelos escolhidos de Deus, que são Suas ovelhas e Sua Igreja (Jo.10.11,15; 17.9; Ef.5.5-27). Porém, essa expiação dá aos eleitos uma salvação eterna, pois, perdoados de todos os seus pecados pelo sacrifício de Cristo, e tendo sido imputada a eles a justiça de Cristo, eles já não podem ser condenados; eles tem, agora, a vida eterna (Jo.5.24).

Chamada eficaz nos fala sobre como Deus salva os Seus escolhidos. Deus usa a pregação do evangelho como meio de chamar os eleitos para Si mesmo (Rm.10.14-17). O evangelho deve ser pregado a todas as pessoas (Mc.16.15), pois não sabemos quem Deus escolheu, e a Palavra se tornará eficaz na vida daqueles que foram eleitos antes da fundação do mundo (At.13.48). O Espírito Santo irá agir na vida dos eleitos, operando a regeneração (ou novo nascimento- Jo.3.3-8) pela Palavra (I Pe.1.23), tornando-os dispostos a responderem positivamente ao convite do evangelho (At.16.14). É nesse momento que os eleitos recebem a capacidade de "escolher a Deus" e receber a Cristo (Jo.6.65), arrependendo-se de seus pecados e tendo fé em Cristo para salvação. Tanto o arrependimento como a fé são dons de Deus, dados no momento da regeneração (At.5.31; 11.18; Ef.2.8; Fp.1.29; II Tm.2.25). Por isso, ninguém deve se achar melhor que os outros por ter se arrependido ou ter tido fé, porque essa capacidade é algo sobrenatural dado por Deus. Dizer que essa chamada aos eleitos é eficaz significa que é impossível a um eleito resistir ao convite do Espírito Santo, pelo evangelho, no seu coração (Is.43.13).

Perseverança dos santos significa que aqueles que foram eleitos por Deus, desde o dia em que foram salvos, não poderão mais perder essa salvação (Jo.6.39; Rm.8.30; Fp.1.6). Como Cristo morreu por todos os seus pecados - passados, presentes e futuros - nenhum pecado pode, agora, levá-los à condenação: "Nenhuma condenação há para aqueles que estão em Cristo" (Rm.8.1). Uma vez salvo, salvo para sempre. Eles têm a vida eterna e, se é eterna, não pode acabar um dia (Jo.10.28-29). Nada, agora, pode separá-los do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor (Rm.8.35-39). Porém, isso não significa que os eleitos nunca mais pecarão, porque isso certamente irá acontecer (I Jo.1.8-10). Mas como eles foram regenerados, seu prazer agora não é mais o pecado, mas a santidade (I Jo.3:6-10). Uma pessoa que viva em pecado e alegue ter sido salva deve ter sua salvação seriamente questionada. Um cristão pode até cometer um pecado terrível, porém, esse pecado certamente requererá uma disciplina da parte de Deus, não com o objetivo de fazê-lo pagar pelo seu pecado, que ja foi pago na cruz por Cristo, mas com a finalidade de aperfeiçoá-lo, para que seja participante da santidade de Deus (Hb.12.5-13). Davi foi um exemplo dessa disciplina de Deus, no caso de Bate-Seba (II Sm.11 e 12).

Em quinto lugar, creio como reformado que o "fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre", como diz o Breve Catecismo de Westminster. Logo, um reformado tenta viver uma vida que glorifique a Deus em todos os aspectos, e entende que Deus é adorado e glorificado em todas as áreas de sua vida: no trabalho, na família, na sociedade, no lazer, na igreja, etc. "Quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus" (I Co.10.31), como diz o apóstolo Paulo. A busca da glória de Deus e a adoração cheia de amor que brota do coração de um cristão reformado é a aplicação prática e conseqüência da doutrina da soberania de Deus. Pode-se perceber isso no próprio Paulo que, depois de discorrer sobre o assunto da soberania de Deus dos capítulos 9 a 11 de Romanos, encerra o assunto com adoração: "Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem deu primeiro a ele, para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém." (Rm.11.33-36).

Este é um pequeno resumo do que eu creio como reformado. Digo com segurança e convicção que essa é a doutrina original dos evangélicos, mas que, infelizmente, foi abandonada com o tempo. Tenho buscado um retorno ao evangelho bíblico conforme ensinado pelos reformadores, nossos pais na fé, e creio que esse é o único caminho para um verdadeiro avivamento na igreja evangélica moderna. O segredo do avivamento não é inovar, mas olhar para o passado e restaurar o que se perdeu: "Ponde-vos nos caminhos, e vede, e perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele; e achareis descanso para as vossas almas." (Jr.6.16).

Minha sincera oração é que Deus utilize este artigo para abrir os olhos de muitos irmãos em Cristo às verdades esquecidas da Palavra de Deus, e que assim, despertos para o evangelho eterno, possam ter seus corações em chamas por essas mesmas verdades que custaram o sangue de nossos pais!

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Igreja Reformada, Sempre se Reformando

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Outubro é um mês especial para o protestantismo. No próximo dia 31, estaremos comemorando 489 anos de Reforma Protestante. No distante ano de 1517, no dia mencionado, o monge agostiniano Martinho Lutero afixava na porta da Catedral de Wittenberg as famosas 95 teses, em protesto contra os abusos que cria serem praticados pela Igreja Católica Romana.

De fato, o cristianismo se corrompera profundamente no decorrer da Idade Média. Crenças, dogmas e práticas pagãs foram incorporadas à religião cristã, deformando-a. Culto a Maria e aos santos, imagens, relíquias, indulgências, salvação pelas obras, repetição do sacrifício de Cristo, transubstanciação, missas em favor dos mortos, celibato, imoralidade do alto clero etc. As tradições foram suplantando as Sagradas Escrituras, a ponto de se chegar a proibir a leitura destas. O Papa, que presunçosamente se auto-proclamava representante de Cristo na terra, em verdade ocupou a posição deste e passou a comandar a Igreja como autoridade suprema.

Assim corria o cristianismo até o século XVI. Um dia, porém, Lutero descobriu as Escrituras, e sua vida foi mudada completamente. Ele, que vivia atormentado, temeroso, inseguro de não estar fazendo o suficiente para se salvar, ao ler Romanos 1:17, entendeu que a salvação não se dava por obras humanas, mas pela graça mediante a fé em Cristo Jesus. Indulgências, relíquias, missas, peregrinações e intercessões pelos mortos eram desnecessárias, pois somente pela fé em Cristo e na sua morte vicária nos tornávamos aceitáveis a Deus.

Tendo tomado conhecimento dessas verdades, Lutero se conscientizou do quanto a Igreja estava afastada da sua pureza e simplicidade original, do abandono da palavra de Deus. Inconformado com os abusos de sua época e com a distorção do cristianismo, publicou suas 95 teses no 31 de outubro de 1517. Deus, em sua soberania, a partir desse ato, iniciou um dos maiores avivamentos da história da igreja cristã. Posteriormente, surgiram figuras como Zwinglio, Calvino, Knox e os puritanos, que deram continuidade à Reforma iniciada por Lutero. E assim retornamos a um cristianismo bíblico e genuíno.

Ao me relembrar desse importante acontecimento, vem à minha mente este conhecido lema: “Ecclesia Reformata et Semper Reformanda Est” (Igreja Reformada Sempre se Reformando), de autoria do reformado holandês Gisbertus Voetius (1589-1676). Penso que o referido lema deve nos servir de moto e incentivo para atuarmos em prol de uma Nova Reforma. A igreja evangélica precisa de uma Nova Reforma.

Por vezes, o lema supracitado tem sido usado de maneira desvirtuada. Muitos o utilizam como pretexto para a introdução de novidades, modismos e idéias politicamente corretas no seio da igreja. Entendo, porém, que estar sempre se reformando não é sempre inovando. Não podemos nos conformar com este século, e ceder às suas pressões. Estar sempre se reformando é buscar continuamente o retorno ao cristianismo bíblico, reafirmando as doutrinas e práticas das Escrituras Sagradas.

Como a igreja é composta de homens falhos e pecadores, e em função das contingências e pressões históricas, ela sempre se afasta, em maior ou menor grau, da ortodoxia. Daí a necessidade de estar sempre em reforma. Nosso maior desafio, como povo de Deus, é servirmos a ele e executarmos seus propósitos, sem nos curvarmos aos “Baais” contemporâneos.

A igreja evangélica brasileira tem se afastado cada vez mais do cristianismo bíblico-reformado. Estamos imersos numa era de profundo misticismo, de caos doutrinário e eclesiástico. O evangelicalismo moderno não difere muito do catolicismo romano. Se os católicos têm as tradições, os evangélicos têm as supostas novas revelações do Espírito, as falsas profecias, que igualmente usurpam a autoridade suprema das Escrituras, levando o povo de Deus a andar por caminhos errados. Se os católicos têm a figura do Papa, os evangélicos têm os “apóstolos”, que de maneira arrogante assim se auto-intitularam, os quais também buscam roubar o senhorio de Cristo e dominar a igreja evangélica; lobos vorazes.

Não obstante o acesso fácil à Bíblia, a quantidade de exemplares existentes, nossa geração é extremamente ignorante acerca dela. Não a lêem, nem nela meditam, nem a estudam com a devida diligência. Não sabem manejar a palavra da verdade. O resultado disso são crentes superficiais, eternos meninos espirituais, inconstantes na fé, presas fáceis dos falsos mestres e falsas doutrinas.

O evangelicalismo moderno também possui os seus ídolos, superstições, crenças e práticas pagãs. A cultura gospel, a teologia da prosperidade e o movimento de batalha espiritual têm gerado inúmeros absurdos, de modo que hoje já se questiona se o termo evangélico ainda possui algum significado especial.

Igreja reformada, sempre se reformando. Mais do que nunca, esse lema precisa ser rememorado e posto em prática. A igreja evangélica brasileira necessita de uma Nova Reforma. Precisamos reafirmar a autoridade suprema e infalível das Escrituras, as antigas doutrinas da graça, a soberania de Deus e a centralidade da cruz de Cristo em nossa religião. Somente assim seremos abençoados e sairemos da confusão que toma conta do nosso cristianismo. Somente com uma boa teologia, bíblica e reformada, teremos uma prática cristã sadia e coerente.

Reformar-nos-emos, sob a graça de nosso Deus. Com oração, estudo da palavra, esforço e coragem, ele atuará em nosso favor e derramará um genuíno avivamento. “Seja Deus gracioso para conosco, e nos abençoe, e faça resplandecer sobre nós o seu rosto”. Amém.

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

Oração e jejum no dia 31 de outubro

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A Igreja do Evangelho Quadrangular, do Jardim Von Zubem, Campinas-SP, está convocando seus membros a fazer um jejum e orações no dia 31 de outubro. Esta data é muito significativa: é o aniversário da Reforma Protestante e ao mesmo tempo o dia em que se comemora o Halloween (Dia das Bruxas). Portanto, estaremos usando esta data para clamar a Deus por um avivamento na igreja evangélica moderna e pela salvação dos bruxos e demais pecadores do mundo.

Gostaria de estender essa convocação a todos os cristãos que me lêem. Vamos aproveitar este dia e levantar um clamor a Deus por um avivamento em nossos dias, uma nova reforma, que venha livrar a igreja evangélica das heresias neopentecostais e liberais, e levá-la de volta ao ensino bíblico, resgatado pela Reforma. E que esse avivamento venha influenciar o mundo de tal forma que comemorações como o Halloween sejam abandonadas e muitos pecadores sejam salvos.

Cristãos que me lêem, uni-vos com jejuns e orações e clamai: "Aviva a Tua obra, ó Senhor!" (Hc.3:2)

Culto em Comemoração ao Aniversário da Reforma Protestante

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O Ministério de Louvor Verdadeiros Adoradores, da Igreja do Evangelho Quadrangular, do Jardim Von Zubem, Campinas-SP, estará realizando, no dia 28 de outubro de 2006, das 19:00 às 21:30 horas, o Culto em Comemoração ao Aniversário da Reforma Protestante.

A Reforma Protestante foi o maior avivamento ocorrido na história da igreja. No dia 31 de outubro de 1517, num tempo de grande apostasia, Martinho Lutero, um homem levantado por Deus, elaborou 95 teses contra a venda de indulgências (perdão de pecados) pela igreja da Idade Média. Essa data marcou o início das igrejas evangélicas e de um avivamento sem precedentes na história: a Bíblia foi traduzida para diversas línguas e colocada nas mãos do povo; doutrinas fundamentais, como a justificação pela fé, foram recuperadas; a verdadeira adoração bíblica foi resgatada; o evangelho passou a ser pregado em diversas partes do mundo; etc.

Hoje, 489 anos depois, muitas igrejas chamadas evangélicas têm sofrido de males semelhantes ou piores aos da igreja da Idade Média. Diante de tal apostasia e pecado, sentimos a absoluta necessidade de um avivamento em nossas vidas e igrejas, um mover soberano e sobrenatural de Deus, derramando sobre nós do Seu Espírito e levando-nos de volta às verdades abandonadas da Palavra de Deus.

Estaremos realizando esse culto, cujo tema é “Aviva a Tua obra, ó Senhor!” (Hc.3:2), com o objetivo de relembrar o que Deus fez no passado através da Reforma, e levantar um clamor por um genuíno avivamento no presente. Haverá louvor com o Ministério Verdadeiros Adoradores e outros, pregação da Palavra, muita oração por avivamento e sorteio de livros e CDs.

Gostaria de convidar a todos os leitores deste blog que moram em Campinas e região a estar participando conosco desta grande comemoração. Tenho certeza que será uma grande benção!

sábado, 29 de julho de 2006

Manifesto Protestante

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MANIFESTO PROTESTANTE

À sociedade brasileira,

Nós, membros do grupo de discussões Cristãos Reformados, evangélicos de várias confissões protestantes, por meio deste manifesto, expressamos publicamente a nossa indignação quanto ao recente escândalo da "CPI dos Sanguessugas" que envolve parlamentares da bancada evangélica. Como cidadãos brasileiros e como cristãos é com tristeza e vergonha que lamentamos a falta de ética e os pecados da mentira, cobiça e furto apontados nas investigações em andamento nas CPIs e instâncias policiais e judiciais. Tais fatos são um desrespeito a cada brasileiro e uma afronta à nossa fé e a Deus – cujo Nome esses parlamentares carregam. Pedimos às autoridades competentes que exerçam justiça, com rigor e responsabilidade, na punição de todos comprovadamente culpados. Esperamos também que, com o mesmo rigor, sejam disciplinados em suas igrejas aqueles evangélicos tidos como culpados por estes pecados.

Por isso, é preciso que a sociedade brasileira tenha conhecimento de que muitos dos herdeiros históricos da "Reforma Protestante" não observam passivamente essas denúncias e nem aprovam a prática desonesta na política de qualquer cidadão – muito menos quando ela ocorre pelas mãos de evangélicos deste País. Vários de nós, como os integrantes deste grupo, não só protestamos contra o baixo nível ético que assola a nação, como também ficamos perplexos pela falta de compromisso doutrinário e espiritual com os princípios cristãos que presenciamos nas igrejas evangélicas brasileiras.

Lamentamos que, assim como o cristianismo do século XVI estava em decadência, manchado pela imoralidade de seu clero, escândalos de simonia, venda de indulgências, sede de poder, distorção doutrinária e podridão espiritual, as igrejas evangélicas brasileiras padeçam, hoje, de males semelhantes ou até piores que aqueles. Contra isso levantamos o nosso protesto, fundamentados nos cinco pilares da Reforma Protestante: Sola Scriptura, Solo Christo, Sola Gratia, Sola Fide e Soli Deo Gloria. Esses princípios divinos são extraídos das Sagradas Escrituras e denunciam a falta de temor a Deus, o caos ético e moral, e o vergonhoso procedimento de igrejas e líderes evangélicos presentes em nossa sociedade.

1. Sola Scriptura – somente pela Bíblia

Protestamos contra o abandono da Sola Scriptura. Reafirmamos que somente a Bíblia deve ser nossa única regra de fé e prática, a "carta magna" dos evangélicos. Assim o fazemos pois cremos que Deus é seu Autor. Hoje, muitos evangélicos pregam, não a Bíblia, mas o personalismo, o materialismo, o curandeirismo, o profetismo, a auto-ajuda e o misticismo. Tudo isso escorado em falsas visões e revelações, as quais contradizem o ensino claro da Palavra de Deus. Protestamos contra todo tipo de bispo, apóstolo, pastor que colocam sua palavra no mesmo grau de autoridade da Bíblia. Protestamos ainda contra a falta de incentivo dos líderes em estimular os leigos à leitura da Bíblia, criando, assim, um ambiente que permita o questionamento e o aferimento dos ensinos e do modo de vida da própria liderança.

2. Solo Christo - somente por Cristo

Protestamos contra o abandono da doutrina do Solo Christo. Reafirmamos que a salvação de cada homem ocorre somente por meio da obra infalível de Jesus Cristo. Muitas igrejas evangélicas brasileiras não mais anunciam "somente Cristo", mas sim a salvação mediante exorcismos, dízimos e uma obediência cega aos líderes, os quais, na verdade, são falsos mestres que, pregando a si mesmos, adicionam outras obras como necessárias à salvação. Assim, por sórdida ganância, enganam o povo. Essas mazelas no meio dos cristãos já foram profetizadas pelo próprio Messias, como bem demonstram os Evangelhos e as epístolas de Paulo, Pedro e João. Somos bem-aventurados quando perseguidos somente por causa de Cristo, mas jamais pelo mau testemunho dos cristãos evangélicos.

3. Sola Gratia – Somente pela graça

Protestamos contra o abandono da doutrina da Sola Gratia. Reafirmamos que é Deus, somente por sua graça, Quem vai ao encontro do homem para salvá-lo. Protestamos contra as mais variadas barganhas em troca de favores divinos. Protestamos contra um "evangelho" antropocêntrico, centrado no homem. Protestamos contra uma igreja que se preocupa mais com o marketing e outras formas de agradar sua clientela, do que proclamar a simples mensagem da maravilhosa graça por meio de Cristo Jesus aos pecadores. Protestamos contra a pregação de uma graça barata que não fala do arrependimento dos pecados e da necessidade do poder transformador de Deus para viver a vida cristã. Protestamos contra quaisquer outros meios estranhos aos ensinos das Escrituras para a obtenção da salvação ou qualquer outra graça.

4. Sola Fide - Somente pela fé

Protestamos contra o abandono da doutrina da Sola Fide. Reafirmamos, neste nobre estandarte do protestantismo, o ensino da justificação do homem somente pela fé, e não por meio de quaisquer obras. Assim cremos, pois a Bíblia afirma não haver obra humana capaz de cobrir o pecado. A fé, pura e simples em Jesus, é suficiente porque a Sua obra é suficiente para salvar o pior dos pecadores. Protestamos contra a ressurreição de novas formas de indulgências que obscurecem a salvação somente pela fé. Exemplo disso é a compra de “objetos abençoadores”, aquisição de produtos ungidos e pregação de fórmulas de prosperidade financeira e emocional. Protestamos contra coerção para a entrega de bens e dinheiro, abusando da boa fé e ingenuidade dos fiéis que, assim, tornam-se presas de lobos disfarçados de pastores. Protestamos contra o abandono do princípio de doações voluntárias segundo o exemplo do livro de Atos dos Apóstolos e a recomendação da Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios. Protestamos contra as igrejas evangélicas que associam a salvação à qualquer observância de regras extrabíblicas que não podem salvar o homem de seu pecado e muito menos conduzi-lo verdadeiramente a Deus.

5. Soli Deo Gloria – Somente para a glória de Deus

Acima de tudo, protestamos contra o abandono da doutrina da Soli Deo Gloria . Reafirmamos que toda glória seja dada somente a Deus. Protestamos contra evangélicos que glorificam suas próprias obras, suas igrejas, seus templos, seus líderes e seus fiéis, mas não glorificam com suas vidas ao Deus Único e Verdadeiro. Protestamos contra aqueles que quebram a Lei de Deus, especialmente os Dez Mandamentos, para executar sua própria lei, roubando, mentindo, enganando a sociedade brasileira e maculando o sublime nome de Cristo do qual afirmam que são discípulos. Protestamos contra a prática pecaminosa e imoral de agentes políticos para beneficiar somente às igrejas evangélicas ao invés de se buscar o bem comum a todos os cidadãos brasileiros. Protestamos contra líderes que oferecem seus púlpitos à propaganda política em troca de favores. Protestamos contra todos aqueles que ambicionam a sua própria glória. Protestamos contra a quebra egocêntrica dos dois maiores mandamentos: amar a Deus e ao próximo.

Final

Por fim, apesar da vergonha que temos tido por levar sobre nós o nome de "evangélicos", reconhecemos que nem todos os chamados por esta alcunha têm agido de forma vergonhosa e antibíblica. Há, ainda, pastores e igrejas vivendo de modo íntegro o verdadeiro Evangelho de Jesus. Existem os que verdadeiramente são perseguidos por causa de Cristo. Muitos ainda têm as Sagradas Escrituras como única regra de fé e prática. O rebanho do Pastor supremo tem sido guiado ainda por genuínos cajados. São cristãos evangélicos que, assim como nós, protestam contra igrejas que se dizem herdeiras do protestantismo, mas que se distanciaram dos fundamentos da Reforma Protestante.

Suplicamos a Deus que tenha misericórdia de nossas igrejas, pois sabemos que o julgamento do Supremo Juiz começará na Sua própria casa. Suplicamos pelo Brasil para que tenha governantes dignos da imagem de Deus que carregam – sejam eles evangélicos ou não. Suplicamos a Deus por nossos pecados. Humilhamo-nos diante de Cristo como cidadãos brasileiros e cristãos evangélicos suplicando ao Senhor por verdadeiras reformas em nossas vidas e neste amado País, o qual a Providência nos deu para bem cuidar como fiéis mordomos.

No mais, deixamos os leitores livres para promoverem a divulgação deste manifesto pelos meios legalmente permitidos, rogando que seu texto seja respeitado e preservado.

A Deus somente toda a glória!

Respeitosamente ao povo brasileiro,

Cristãos Reformados
Brasil, Julho de 2006.

sexta-feira, 28 de julho de 2006

A Santificação (Parte 3)

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Parte: [1] [2] [3] [4]

Os perigos do pecado na vida do cristão

“Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia. Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim, e o meu vigor se tornou em sequidão de estio.” (Salmo 32:3,4)

Já falei a respeito do que é santificação, bem como expliquei o porquê do cristão remar contra a maré, vivendo de modo santo. Agora, com a graça de Deus abordarei a questão dos perigos do pecado na vida do cristão, daquele que nasceu de novo.

Antes de tudo, relembremos, resumidamente, algumas coisas que a Bíblia diz a respeito do pecado. Primeiramente, “o pecado é a transgressão da lei” (I Jo 3:4). Deus deu ao homem mandamentos justos e bons, os quais, quando obedecidos, redundam em glória a Deus e em felicidade para nós. Porém, quando negligenciamos essas ordens do Soberano, não as cumprindo, estamos cometendo pecado. Assim, percebemos que o pecado é uma grande rebeldia do homem, é um insulto terrível ao Criador de todas as coisas, uma ofensa ao Rei do universo. É como se o pecador estivesse dizendo: “eu não me importo com Deus, o que Ele ordena não significa nada para mim; eu quero viver de acordo com os meus próprios desejos, eu sei mais do que ninguém o que é melhor para mim”. Pereça tal pensamento!

A malignidade do pecado se agrava mais ainda quando pensamos sobre o caráter Daquele que é ofendido. Deus é amor, a Sua bondade dura para sempre, Ele é cheio de misericórdia e ternura. Nele não há nada que seja impuro, Ele é santíssimo e cheio de graça. Veja, amigo, que não é contra alguém mau ou cruel que o homem peca, antes, é contra o mais amável do universo! Consideremos também os benefícios que Deus dá ao homem, como a vida, o alimento, a bebida, as vestes, a alegria do coração, e inumeráveis bênçãos. O homem peca contra Aquele que o abençoa diariamente, que o mantém vivo! Que ingratidão! O pecado é tolice, é odioso, é amargo, procede do diabo e produz a morte!

A grande conseqüência do pecado é a morte (Rm 3:23), se referindo à morte espiritual, à morte física, e também à segunda morte, no lago de fogo e enxofre (Ap 20:14). Porém nós, que cremos no Senhor Jesus Cristo, fomos salvos do pecado e do seu salário. Ele carregou os nossos pecados no calvário, ofereceu o sacrifício perfeito que remove todas as ofensas, tanto as passadas como as futuras, eternamente. Fomos vivificados pelo Espírito, jamais provaremos a segunda morte, absolutamente nunca haverá condenação para nós, porque todo o nosso pecado já foi punido em Cristo, e o “escrito de dívidas que era contra nós” foi cravado na cruz, de uma vez por todas.

Contudo, mesmo nós, que somos salvos, estamos sujeitos a pecar, enquanto estivermos nesse mundo. O apóstolo João é claríssimo quando diz: “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados...” (I Jo 1:8-9a). E o pecado gera conseqüências em nossas vidas, mesmo como filhos de Deus.

Antes de falar dos males que o pecado traz para nós, que somos justificados, gostaria de falar daquilo que o pecado não faz a nós. E o principal ponto é: o pecado não faz com que “percamos a nossa salvação”. Algumas pessoas acham que, se o cristão cometer terríveis pecados, pode deixar de ser salvo. Outros pensam que o cristão pode chegar ao ponto de blasfemar contra o Espírito Santo. Outros ainda sustentam que se o cristão pecar, e logo depois morrer, estará eternamente perdido. Porém, tal doutrina é antibíblica. Jamais podemos, irmãos, conceber que uma ovelha de Cristo seja lançada no inferno, pois Ele garantiu que “nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará de minha mão”. É impossível que alguém que tenha sido justificado possa no fim das contas ser condenado, pois senão o Juiz infalível teria errado em seu pronunciamento, teria voltado atrás com relação aos seus dons, que são irrevogáveis, e a gloriosa e triunfante passagem de Romanos 8:30 (“aos que justificou, a estes também glorificou”) seria uma grande mentira. Oh meus irmãos, o Filho de Deus teria falhado em sua missão, pois Ele diz: “a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6:39). É inconcebível que Deus não conclua a boa obra que começou em nós, o seu povo (Fl 1:6). Portanto, vocês, que já foram alcançados pela graça de Deus, saibam que não poderão perder a sua salvação.

Algum insensato poderá questionar: “ora, se eu jamais poderei perder a minha salvação, porque me preocupar com a santificação? Vou viver uma vida segundo os prazeres da carne, me deleitando no pecado!”. Esse tipo de frase me assusta. Pode proceder isso dos lábios de um cristão? Essa declaração é um tanto estranha a um filho de Deus. Aqueles que nasceram de Deus odeiam o pecado, e amam ao seu Senhor supremamente. Como poderiam cogitar em viver uma vida assim? Eles foram transformados, suas mentes foram renovadas, receberam um novo coração. Jamais diriam ou fariam uma coisa dessas. Não podem viver na prática do pecado.

O pecado também não faz com que o cristão deixe de ser filho de Deus, ou passe a ser menos amado por Ele. Não é porventura o Seu amor qualificado como eterno? (Jr 31:3). O amor de Deus é incondicional e imutável, Ele nos amou desde antes da fundação do mundo, Ele nos ama assim como ama a Cristo! (Jo 17:23).

Tendo considerado o que o pecado não faz ao cristão, consideremos alguns dos terríveis males que ele causa.

O primeiro deles que quero citar é que o pecado entristece a Deus. É por isso que o apóstolo Paulo disse: “não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção” (Ef. 4:30). Que pai não fica triste, quando o seu filho, a quem tanto ama e tanto faz bem, o desobedece? O prazer de Deus é ver os seus filhos andando santamente. Cristão, porventura você pode suportar a visão da tristeza do Pai por causa do seu pecado?

Uma segunda conseqüência do pecado é que ele traz a correção de Deus. Ele, como um bom Pai, repreende e castiga os Seus filhos, a quem ama. E o castigo pode ser dolorido, apesar de ser para o nosso supremo bem. Imagine, meu irmão, não só o olhar de tristeza do Pai, porém também o Seu olhar de desaprovação e repreensão, por causa do seu pecado! Se quando o nosso pai terreno fazia isso, o nosso coração já se partia, imagine quando o Pai eterno faz isso! Cuidado, irmão, Deus tem em suas mãos vara para corrigir seus filhos desleixados.

Devemos considerar também que o pecado traz muito pesar ao coração do cristão (Sl 32:3-4). Quando o salvo peca, ele se entristece profundamente, porque entende que ofendeu ao Seu Salvador a quem tanto ama. Ele fica privado da alegria da salvação, chega ao ponto de sentir vergonha de adentrar na presença de Deus, ou de participar das reuniões de culto a Deus, prejudicando assim até mesmo a sua comunhão com o Pai. E mais: o pecado nos impede de desfrutar da plenitude da vida cristã, da “vida abundante”, do “ser tomado pela plenitude de Deus”, etc. Também obscurece a nossa visão das coisas espirituais!

Todas essas terríveis conseqüências já bastariam, porém há mais. O pecado torna o crente desqualificado para o ministério, pode destruir o seu testemunho diante dos homens, dá ocasião a que os homens blasfemem de Cristo! Por causa do pecado, Deus pode até mesmo “encurtar” a vida do cristão, punindo-o com morte, para que o espírito seja salvo no dia de Cristo! (I Co 5:5)

Por fim, meu querido irmão, quero lhe fazer um apelo. Você observou as terríveis conseqüências do pecado? O seu efeito é devastador, mesmo para o coração do servo de Deus. Você continuará a viver uma vida desleixada com relação à santificação, ou a tolerar certos pecados em sua vida? Desperte, cristão! O pecado é perigoso para você, então aprenda a “passar de largo”, a se desviar do mal, a fugir do pecado! Evite as companhias que induzem ao pecado, os programas televisivos, os sites da internet, as músicas, ou qualquer outra coisa que porventura faça você tropeçar. Vigie e ore! Mortifique a sua natureza carnal! Ouça o clamor de Deus, amado irmão, quando Ele diz: “retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei” (II Co 6:17). O Soberano ordena, com todas as letras: “sede santos, porque Eu sou santo” (I Pe 1:16).

quarta-feira, 5 de julho de 2006

Novo blog reformado: Confraria Calvinista

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Foi criado um novo blog teológico reformado: Confraria Calvinista (www.calvinistas.blogspot.com). Esse blog reúne calvinistas de várias denominações protestantes que têm em comum a teologia reformada. Não deixe de acessar!

sábado, 1 de julho de 2006

Criada comunidade Teologia e Vida no Orkut

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Gostaria de anunciar aos leitores do blog Teologia e Vida que foi criada uma comunidade no Orkut ligada a esse blog. Se você é frequentador de nosso blog e tem acesso ao Orkut faça parte da comunidade Teologia e Vida. Que Deus te abençoe!

A Santificação (Parte 2)

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Parte: [1] [2] [3] [4]

O que há de diferente no cristão?

“Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando, porque é nascido de Deus” (I Jo 3:9)

Observamos de modo explícito, tanto nas Escrituras como no presente século, o quanto o incrédulo odeia a Deus e ao Evangelho. Ele é indiferente à Palavra de Deus, não se importa com o Seu Criador, e só quer viver para agradar a si mesmo, amando mais as trevas do que a luz (Jo 3:19). O mundo zomba do cristão e o persegue, odeia ao Pai e ao Filho (Jo 15:18-26), e se deleita no pecado (2Ts 2:12). E não somente isso, mas “inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos” (Rm 1:22), inventando diversas teorias e filosofias para desonrar o único Deus. De tal modo é corrompido o mundo, que se tornou inimigo do Deus de toda graça.

Porém, enquanto vemos os incrédulos nessa miserável situação, podemos perceber que há pessoas diferentes deles, que amam a Deus e odeiam o pecado, e procuram viver uma vida de santificação. Enquanto muitos têm “coceira nos ouvidos”, não querendo ouvir a voz de Deus, há outros que dizem “fala, Senhor, porque o teu servo ouve” (I Sm 3:10). Há algo diferente nesses corações, que os leva a remar contra a maré. Enquanto o mundo tem prazer no pecado, eles se entristecem profundamente quando pecam. Enquanto o mundo considera Jesus como um bom homem, um simples mestre, ou até mesmo um mentiroso, há aqueles que o amam supremamente e se esforçam para andar segundo os seus mandamentos. Esses são os cristãos.

Diante disso, nos perguntamos: o que há de diferente nessas pessoas? O que ocorreu com o cristão, para que ele de tal modo abandone as suas maldades e busque a santificação? Por que dissemos no primeiro tópico deste estudo que só o cristão busca a santificação?

Em primeiro lugar, devemos entender que não é devido a algum mérito próprio, ou disposição natural do coração, pois as Escrituras declaram que “não há justo, nem um sequer.” (Rm 3:10). A condição original do homem é de pecado, rebeldia e maldade (Sl 51:5), e tão terrível é a sua condição que Jesus declarou que ninguém pode crer Nele, se o Pai não o conceder (Jo 6:44,65). Só o fato de alguém se tornar um cristão é um grande milagre.

A principal resposta que as Escrituras trazem é que o cristão busca a santificação porque uma grande maravilha ocorreu no seu coração. Uma obra que só Deus poderia realizar, e que Ele mesmo descreve pela boca do profeta Ezequiel: “Dar-vos-ei coração novo e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis.” (Ez 36:26-27). Em outras palavras, o que há de diferente no cristão é que ele nasceu de novo (Jo 3:3-8). Deus, se compadecendo de pobres e miseráveis pecadores, concedeu-lhes um novo coração, implantou neles um princípio de vida, uma disposição gloriosa por conhecer a Deus e guardar os Seus mandamentos. O cristão, como todos os outros homens, esteve morto em delitos e pecados, porém Deus deu vida a este defunto espiritual, o levando a crer no Evangelho e a buscar um estilo de vida separado do pecado.

Assim, o cristão é um pecador convertido. Antes ele amava o pecado e não dava ouvidos à voz de Deus. Estava voltado para o mundo, e dava as costas a Deus. Porém, chegou o dia em que o Espírito Santo operou poderosamente em seu coração e, percebendo a sua terrível culpa e sua grande necessidade, volveu os seus olhos para Cristo, se arrependeu e creu. Agora, ele deu as costas ao mundo e se voltou para Deus, estando decidido em viver uma vida agradável a Deus. Cumpriu-se o que Paulo diz: “se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas”. (2Co 5:17). O milagre do novo nascimento!

O cristão, por ter nascido de novo, não pode viver na prática do pecado, como vimos no nosso primeiro versículo. Observe que o apóstolo João não diz “não deve”, como se referindo a um dever moral do cristão. É claro que o filho de Deus tem o dever moral de não andar no pecado. Mas João vai mais além: “não pode”! É impossibilidade, incapacidade mesmo. Aquele que nasceu de Deus não consegue viver na prática do pecado, de tal modo foi transformado o seu coração que ele não quer nem saber de viver uma vida de desobediência. Ele pode até cair em graves pecados, e se esfriar terrivelmente por um tempo, mas a “divina semente” está nele, e assim como a árvore boa não produz maus frutos, o cristão não vive em pecado.

Há um outro texto bíblico que também explica o motivo do cristão andar em santificação. Esse motivo é uma conseqüência do novo nascimento, porém é vital que o compreendamos, por causa da sua grande importância. Jesus o ensina em João 14:21,23: “Aquele tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama; e o que me ama será amado por meu Pai, e eu também o amarei e me manifestarei a ele. (...) Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada”. O cristão guarda os mandamentos de Cristo porque o ama! Jesus foi e é muito bondoso para com o cristão, que o sabe muito bem. Ele é cheio de graça e verdade. O cristão entende um pouco do glorioso amor de Cristo, compreende que Ele deu a Sua vida para purificá-lo de todo pecado, que Ele o amou com amor eterno! Assim, “nós o amamos porque Ele nos amou primeiro” (1Jo 4:19)! O maior temor do cristão é ofender ao Seu Salvador, e não há maior desejo em sua alma do que glorificá-Lo e agradá-Lo. O cristão anela pelo “me manifestarei a ele”, o seu coração bate forte pelo seu Amado, não há nada no mundo que se compare a estar em comunhão com o seu Senhor. Ele se deleita em Deus! O nome de Jesus está escrito no coração de cada cristão!

Por fim, desejo fazer uma advertência a todos os meus leitores. Assim como guardar os mandamentos de Jesus é a grande evidência de que o amamos, viver na prática do pecado é a grande evidência de que não o amamos. Considere o que o apóstolo João diz: “Todo aquele que permanece nele não vive pecando; todo aquele que vive pecando não o viu, nem o conheceu.” (1Jo 3:6). Não se engane, amigo! Se alguém vive na prática do pecado, é sinal de que nunca conheceu a Cristo, nunca foi salvo, nunca nasceu de Deus. Se algum de vocês acha que pode servir a Cristo e, ao mesmo tempo, servir aos desejos da carne, saiba que isso é impossível. Ou se está com Cristo, ou se está fora Dele. Você pode professar todas as verdades cristãs, pode estar semanalmente no templo, pode até profetizar e fazer milagres em nome de Jesus, porém se você vive no pecado, é sinal de que você não conhece a Jesus. E se não se arrepender, ouvirá a terrível condenação do Rei: “nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade” (Mt 7:23).

Aquele que nasceu de novo, que de fato é um cristão, busca a santificação. Como está a sua vida? “Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos.” (2Co 13:5).

terça-feira, 20 de junho de 2006

A Santificação (Parte 1)

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Parte: [1] [2] [3] [4]

O que é santificação?

“E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito” (2 Co 3:18)

Podemos dizer que a santificação é o processo pelo qual o cristão torna-se cada vez mais parecido com Cristo. Consiste em, constantemente, abandonar o pecado e procurar viver de acordo com os mandamentos de Deus. Uma das palavras usadas no NT para santificação é hagiadzo (Jo 10:36), que significa separação. Assim, podemos dizer também que santificação é separar-se do pecado, dedicando-se a Deus, mediante a operação do Espírito Santo.

Todos os cristãos passam por esse processo, de modo que, tão logo alguém é justificado, começa também a se santificar. O justificado necessariamente está se santificando.

E também devemos dizer que apenas os cristãos conhecem esse processo. Incrédulos não querem e nem podem se santificar. Não querem, pois tem prazer no pecado e não desejam se separar dele; e não podem porque não contam com o agir poderoso do Espírito dentro de si.

Tendo procurado definir o que é santificação, passemos agora para o que não é santificação. A mente carnal sempre confunde as coisas, distorcendo a verdade de Deus, o que não é diferente com este assunto.

Primeiramente, devemos dizer que a santificação não é apenas uma “moralização”, ou uma apreensão de valores éticos e de bom comportamento. É claro que a moral está inclusa, mas não é apenas isso. E digo mais: qualquer tentativa de santidade que não vise à glória de Deus e não seja motivada por amor a Ele, é maldita, sendo terrivelmente pecaminosa e inaceitável aos olhos do Senhor.

Também não devemos confundir santificação com professar alguma religião. Há muitas religiões no mundo, cada uma delas com seus variados ensinos e doutrinas, e é impossível ao homem que segue uma religião falsa conhecer algo da santificação verdadeira. E mesmo entre os que professam seguir a santa religião, a saber, o Cristianismo, há muitos hipócritas e mentirosos, muitas pessoas que se misturam no meio do povo de Deus, porém não fazem parte desse povo. Estão na igreja apenas porque se sentem bem, ou porque apreenderam apenas mentalmente as verdades cristãs, ou encontram lá um ambiente gostoso que ajuda a esquecer os problemas da vida.

Muito menos devemos achar que santificação é um isolamento do mundo, como fazem aqueles que se enclausuram em um mosteiro, passando a vida em atividades religiosas e com mínimo contato com outras pessoas. O pecado não está “fora”, ele está dentro do ser humano, o próprio coração humano é naturalmente mal. Ainda que alguém se esconda de tudo e de todos, a natureza pecaminosa certamente se manifestará, de um modo ou de outro. A ilusão dos monges é não compreender isso. A verdadeira santificação é aquela em que, mesmo estando no mundo, o cristão não se corrompe com o mundo, mas resplandece como o sol em meio a um sistema tenebroso.

Tornamos a dizer: somente o cristão experimenta a santificação. Entraremos em maiores detalhes sobre isso nos próximos tópicos deste estudo. Não deixe de acompanhar! Que Deus te abençoe!

terça-feira, 6 de junho de 2006

Entendendo a Justificação pela Fé (Parte 1)

3 comentários

“Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo...”
(Romanos 5:1 ARA).

A justificação pela fé é uma doutrina ensinada por toda a Escritura, mais claramente demonstrada pelo apóstolo Paulo em suas epístolas. Os reformadores (nossos pais na fé) acreditavam que a justificação pela fé era o núcleo do evangelho, a doutrina em torno da qual estavam todas as demais. De fato, não há como diminuir o valor e importância da justificação na vida do cristão.

No entanto, poucos cristãos em nossos dias conhecem realmente o significado desta gloriosa doutrina. Poucos pregadores a mencionam. Fala-se muito em perdão de pecados, mas muito pouco sobre imputação de justiça. Creio que se perguntasse a um dos meus irmãos em Cristo que me lêem neste momento sobre se foram justificados pela fé, quase todos, provavelmente, responderão que sim. Mas se perguntasse qual o significado de estar justificado ou sobre como essa verdade tem influenciado a vida dos irmãos, muitos vacilariam em responder.

Portanto, meu propósito com este rápido estudo é tornar mais claro o significado da justificação pela fé, apresentando o que a Bíblia ensina sobre o assunto, e como essa verdade se torna prática em nossas vidas quando obtemos um conhecimento exato dela. Para facilitar resolvi dividir este estudo em partes. Nesta primeira estarei tratando sobre a lei de Deus e o pecado, temas fundamentais para a correta compreensão da justificação.

Que Deus nos ilumine a mente e nos guie durante este estudo, levando-nos a conhecer as profundezas de Sua Palavra!

A Lei de Deus e o Pecado

A lei de Deus está revelada na Bíblia. Ela representa a vontade de Deus para todos os homens. Encontramos um resumo da lei nos Dez Mandamentos, que por sua vez podem ser resumidos no Grande Mandamento dado por Cristo: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo (Mt. 22:34-40).

Diante disso, podemos afirmar que a lei de Deus nunca foi abolida, pelo contrário, continua em pleno vigor nos dias de hoje. Foi Jesus mesmo quem disse: “Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas; não vim para revogar, vim para cumprir.” (Mt. 5:17 ARA). O que se aboliu foram aspectos cerimoniais da lei (sacrifícios de animais, festas e outros ritos) que tipificavam, no Antigo Testamento, as realidades que só vieram à plena luz no Novo. Porém, a Lei Moral, como se costuma chamar-se, ou os Dez Mandamentos, nunca mudou e nem mudará.

Agora, um ponto de extrema importância é que a lei de Deus exige de nós completa obediência a todos os seus mandamentos: “...dela não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda...” (Js.1:7 ARA). Tiago afirma: “Pois quem obedece a toda a Lei, mas tropeça em apenas um ponto, torna-se culpado de quebrá-la inteiramente.” (Tg. 2:10 NVI). Portanto, obedecer à lei de Deus significa obedecê-la por completo.

A total obediência à lei de Deus leva à vida: “Portanto, os meus estatutos e os meus juízos guardareis; cumprindo-os, o homem viverá por eles.” (Lv. 18:5 ARA). Porém, a desobediência de um só mandamento (que é o pecado, a transgressão da lei), ainda que dos menores, gera a morte: “Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas escritas no livro da lei, para praticá-las.” (Gl. 3:10 ARA). “...porque o salário do pecado é a morte...” (Rm. 6:23 ARA). Todo pecado merece seu castigo. Para que a justiça de Deus seja satisfeita, o pecado precisa ser punido.

Mesmo diante de todos esses fatos, como todos sabemos, Adão pecou e não permaneceu no mandamento dado por Deus, o que trouxe conseqüências para toda a humanidade: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.” (Rm. 5:12 ARA).

Por isso, todos os seres humanos já nascem com o pecado original dentro de si, merecendo a devida punição: a morte. Somos praticantes por excelência do pecado, sendo, portanto, escravos dele (Jo. 8:34). É impossível a qualquer pessoa obedecer à lei de Deus como é exigido. O fato de Deus exigir do homem algo que ele não pode cumprir não faz de Deus um injusto, pois o homem, no estado em que foi criado, tinha a capacidade de obedecer à lei de Deus, mas por voluntária desobediência decaiu desse estado de liberdade para um estado de escravidão. Por conseqüência, todos estão perdidos, condenados à morte e aumentando sua dívida a cada dia!

É justamente por esse motivo que, apesar de a total obediência à lei conduzir à vida, ninguém pode ser salvo pela lei, pois ninguém pode obedecê-la perfeitamente: "sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei..." (Gálatas 2:16). E Deus não pode simplesmente fechar os olhos para o pecado, fingindo tê-lo esquecido, e perdoar a todos os pecadores, pois isso faria dele um Deus injusto: "O SENHOR é tardio em irar-se, mas grande em poder e jamais inocenta o culpado..." (Naum 1:3a ARA).

Agora podemos enxergar a profundidade do abismo no qual o pecador se encontra: morto em delitos e pecados está debaixo da condenação da lei e da ira de um Deus justo e santo, que não pode abrir exceções à Sua Santa lei de forma a inocentar o culpado. Qual a solução então para o pecador nesse estado? Como pode existir uma salvação para o homem em tal abismo? Não deixe de acompanhar a 2ª parte deste estudo, na qual estarei respondendo a essas perguntas tratando da justiça e do amor de Deus, e da solução encontrada por Deus para resolver esse dilema: a justificação pela fé!

Notas:

ARA: Almeida Revista e Atualizada
NVI: Nova Versão Internacional
 

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