segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Tornai conhecidas entre os povos as Suas obras - Isaías 12:4

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"E direis naquele dia: Dai graças ao SENHOR, invocai o seu nome, tornai conhecidas entre os povos as suas obras, proclamai como o seu nome é majestoso." (Is 12:4)

Depois de fornecer duas descrições sobre o relacionamento íntimo do cristão com Deus, falando sobre as ações de graças e o invocar o nome do Senhor, agora o profeta nos incita a mostrar publicamente o que descobrimos sobre Deus, manifestando aos povos as Suas obras e a majestade de Seu nome.

Pensemos, portanto, sobre as obras de Deus. Antes de torná-las conhecidas às demais pessoas, nós mesmos precisamos estar bem experimentados nelas. Diz o salmista Davi: "maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem" (Sl 139:14). Precisamos urgentemente deste conhecimento profundo a respeito das obras de Deus, pois elas nos dizem muito a respeito dEle, nos mostrando todos os Seus maravilhosos atributos em ação e refletindo o brilho de Sua glória. É nosso dever, como filhos de Deus, nos esforçarmos para estarmos familiarizados com todos os feitos de Deus na história, tando do passado, como os de hoje e os que ainda estão por vir.

Tendo posto isso, quais são as obras de Deus para as quais devemos atentar com mais seriedade e carinho? É verdade que Suas obras são inumeráveis, maiores do que nossa imaginação pode conceber e todas são importantes, mas com certeza há algumas que são tão essenciais que jamais devemos nos contentar a um conhecimento limitado delas: pelo contrário, devemos mergulhar totalmente nossa mente e coração na meditação dessas obras, para o proveito eterno de nosssa alma.

Quero lhes falar resumidamente sobre três grandes obras de Deus na história, que estão relacionadas à salvação dos homens.

Primeiramente, pensemos sobre uma obra que já aconteceu definitivamente no passado, a saber: a morte e ressurreição de Jesus Cristo. Este é o grande marco da história da humanidade: "Daquele que não tinha pecado [Jesus] Deus fez um sacrifício pelo pecado em nosso favor, para que nele fôssemos feitos justiça de Deus" (2 Co 5:21). Jesus Cristo, que é eternamente Deus, assumiu a forma humana, vivendo uma vida de plena justiça e santidade entre os homens, e no tempo determinado por Deus, foi crucificado pelos pecados de Suas ovelhas. Oh crentes, Ele tomou sobre si os nossos pecados e nos livrou para sempre da condenação eterna! Seu sangue puro e imaculado foi derramado em nosso favor, oferecendo um sacrifício perfeito a Deus e nos reconciliando com o Pai por toda a eternidade, de modo que gozaremos da alegria suprema de Deus pelos séculos dos séculos!

Oh, bendito Salvador! Verdadeiramente, "Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito" (Jo 3:16). Querido irmão, medite na cruz de Cristo, na perfeita obra de salvação que Ele efetuou sobre o monte do calvário. A salvação de todo o povo de Deus foi assegurada ali, naquela cruz, por meio daquele sangue carmesim que foi derramado. Portanto, é dever e privilégio de todo cristão se regozijar e meditar no Cristo crucificado, bem como em todas as coisas que se relacionaram com a crucificação: Sua encarnação milagrosa, Sua vida perfeita, Seus milagres poderosos, Sua ressurreição e Sua ascenção aos céus.

Agora, quero pensar com vocês sobre uma obra que Deus já realizou incontáveis vezes no passado, continua realizando hoje e ainda realizará muitas vezes até a Sua volta: a obra de levar homens a Cristo. Disse Jesus: "Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer" (Jo 6:44).

Deus tem trazido para Si, em Cristo, incontáveis pecadores em todo o mundo, em todas as épocas, pelo agir poderoso de Seu Espírito. Multidões de pessoas, antes mortas em delitos e pecados, tem sido vivificadas pelo Seu sopro. Homens e mulheres corruptos, depravados, totalmente alienados de Deus, têm tido seus olhos abertos para ver a glória de Jesus. Sim, há assassinos, estupradores, mentirosos, fornicadores, e diversos tipos de indivíduos da pior espécie, com os piores pecados, com as manchas mais grotescas, que tem sido levados por Deus a encontrar salvação gratuita e imerecida em Jesus.

Quando penso nisso, sempre me recordo das declarações emocionadas do salmista, ao falar sobre a situação em que ele se encontrava e o que Deus fez por ele. Vejam só: "Tirou-me de um poço de destruição, de um lamaçal; colocou os meus pés sobre uma rocha, firmou meus passos. Pôs na minha boca um cântico novo, um hino ao nosso Deus. Muitos verão isso, temerão e confiarão no SENHOR" (sL 40:2,3). É isso que Ele faz!

Por fim, quero falar sobre uma obra que Deus ainda realizará, a qual é a grande expectativa de todo filho de Deus. O apóstolo João teve uma visão dessa obra, e declarou: "Então vi um novo céu e uma nova terra" (Ap 21:1). Deus, em breve, julgará toda a humanidade, condenando eternamente todos aqueles que não creram no Seu Filho e chamando ao gozo eterno todos os que creram nEle. Este povo especial, que foi amado pelo Senhor e creu no Seu Filho, desfrutará para sempre de um novo céu e uma nova terra, onde "Deus enxugará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem lamento, nem dor, porque as primeiras coisas já passaram" (Ap 21:4). Deus fará novas todas as coisas, de modo que tudo aquilo que O desonrava não mais existirá, e Sua glória suprema e majestosa brilhará no rosto de todos os Seus eleitos para sempre: eles serão semelhantes ao próprio Jesus (Rm 8:29).
Oh, volte logo, Senhor Jesus, volte logo!

Meus irmãos, estas são algumas das maravilhosas obras do Senhor que devemos proclamar. Mas há muitas outras e devemos nos aplicar a estudá-las, lendo com afinco as Escrituras e implorando por iluminação do Espírito Santo.

Conheçamos, portanto, as obras de nosso Deus, para que possamos proclamá-las entre as nações!

Glória a Deus, para sempre, por todos os Seus feitos gloriosos!
Abraços, de seu irmão, testemunha da graça e poder de Deus,
Davi.

domingo, 11 de outubro de 2009

Amar a Deus acima do ser humano?

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Este texto é um e-mail enviado por mim a uma pessoa que, depois de ter lido no meu Orkut que meu par perfeito é "Uma mulher de Deus que O ame acima de todas as coisas e que me ame de verdade", me perguntou se devemos amar a Deus acima do ser humano, já que, segundo ela, Deus está em todo ser humano.

Olá, boa tarde! Como você está?

Respondendo sua pergunta:

"Mas Deus não está em cada ser humano?"

Não no mesmo sentido. Deus, pela Sua onipresença, está em todos os lugares (Sl.139.7-10). No entanto, Ele não habita em todos os lugares da mesma maneira. Deus está tanto no céu quanto no inferno (Sl.139.8). No céu Deus está em todo o Seu amor e graça, para abençoar (Ap.21.1-5); no inferno Ele está em toda a Sua justiça e ira, para condenar o pecado e aqueles que o praticam (Mt.10.28; Ap.14.9-11). O mesmo pode-se dizer com respeito às pessoas. Deus só está presente para abençoar naqueles que são Seus filhos. E os filhos de Deus só são aqueles que receberam a Cristo como Senhor e Salvador (Jo.1.12-13). Por isso, Paulo diz que os cristãos, e apenas eles, são o templo do Espírito Santo (I Co.3.16; 6.19).

Entrando na questão do amor, a Bíblia é bem clara ao ensinar que Deus deve ser o objeto do nosso amor em primeiro lugar (Sl.73.25-26). Segundo a lei de Moisés e o próprio Jesus, o maior mandamento é amar a Deus de todo coração, alma e entendimento (Mt.22.37-38). Por isso, nós devemos sim amar a Deus acima de todo ser humano, e acima de todas as demais coisas deste mundo. O nosso maior tesouro e desejo deve ser o próprio Deus (Sl.84.1-2). O amor ao próximo vem em segundo lugar (Mt.22.39), e só ama ao próximo verdadeiramente quem ama a Deus acima de tudo (I Jo.4.7-21). Como apenas os filhos de Deus podem amar a Deus verdadeiramente, apenas os filhos de Deus podem amar ao próximo verdadeiramente.

Portanto, para que alguma mulher me ame de verdade, com amor "ágape", como eu digo no Orkut, é necessário que ela primeiro ame a Deus acima de tudo, inclusive acima de mim mesmo.

Espero que tenha ficado claro.

Que Deus te abençoe grandemente!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

A Igreja precisa de uma Nova Reforma

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Este artigo foi escrito por mim no início de 2003, antes da minha própria Reforma. Que neste mês de outubro, quando a Reforma Protestante completará 492 anos, este artigo possa servir como reflexão sobre a necessidade de Reforma na Igreja moderna.

Analisando a Igreja de hoje percebi que ela está enfrentando duas grandes crises: crise doutrinária e crise moral e espiritual. Ela está, como o Apóstolo já previa, apostatando da verdadeira fé (I Tm.4.1). Vejamos o porquê.

Crise doutrinária

Existem muitas heresias penetrando as igrejas. Muitas dessas heresias vêm da parte dos chamados neopentecostais, que são o maior grupo evangélico do país, com muitos programas de televisão, onde propagam suas estranhas doutrinas, mais centradas no poder do homem que no poder de Deus. Uma delas é a famosa “doutrina da determinação”. Segundo esse ensino, Deus é uma espécie de gênio da lâmpada, que está na igreja (e essa tem que ser neopentecostal!) somente para realizar os nossos pedidos. A maioria dos “cristãos” dessas igrejas estão lá para pedirem, e pedirem não bens espirituais, mas materiais. A adoração passou para 2º plano. Deus já não é mais adorado “em espírito e em verdade” (Jo.4.24), mas as pessoas somente “determinam” que querem tal coisa, e Deus deve dar de qualquer jeito.

Essas heresias estão invadindo até as igrejas que não são neopentecostais. “Quebra de maldição”, “prosperidade” e “determinação” são palavras que estão entrando no vocabulário de muitas denominações. O chamado “evangelho da prosperidade” está conquistando muitas pessoas e muitas igrejas. Mas será esse o evangelho de Cristo?

O conhecimento bíblico nas igrejas vem diminuindo cada vez mais. As pessoas não querem mais saber da Bíblia. Se pregarmos para esses “cristãos” que Maria também pode curar, estejamos certos de que quase toda a cristandade evangélica buscará apoio em Maria, pois não tem conhecimento bíblico, só querem milagres e prosperidade. Seu conhecimento é superficial, não tem nenhuma profundidade.

Hoje as igrejas não querem mais pregar a mensagem da cruz. Isso está fora de moda. Não querem mais Bíblia na igreja, querem shows e mais shows. Bíblia, oração, jejum, adoração, amor ao próximo, evangelismo, tudo isso está ultrapassado, nos dizem. É uma pena, mas o diabo está conseguindo arrebanhar milhares!

Crise moral e espiritual

Por falta de conhecimento bíblico, a moral e a espiritualidade caíram no descaso dentro das igrejas. Vejamos as famílias evangélicas. Podemos chamá-las de famílias cristãs? Não há mais cultos familiares, pois dizem que isso é perda de tempo. Preferem perder seu tempo com a novela das sete ou com o Programa do Ratinho! Conversas obscenas, palavrões e coisas semelhantes são muito comuns em lares “evangélicos”. Deus já não ocupa o 1º lugar na família. Divertimentos mundanos e desejos carnais são os novos “deuses” de muitas famílias cristãs. A Bíblia já não é mais O livro, é apenas UM livro.

As visitas aos necessitados foram esquecidas. A Escola Bíblica Dominical foi abandonada. Estudos bíblicos já não são realizados. E evangelismo de casa em casa? Também não fazemos mais. Temos as Testemunhas de Jeová, que nem são cristãos, mas nos dão o exemplo. Nós, porém, ficamos confinados ao templo, achando que assim ganharemos almas para Cristo. Mas não, “se a montanha não vem à igreja, a Igreja vai à montanha”!

E a juventude evangélica, como está? Indo de mal a pior. O que a juventude quer é cantar, tocar, “louvar”. Mas querem pregar? Não, isso eles não querem. Bíblia debaixo do braço não combina com a moda atual. Pregar nas praças? Não, isso é coisa para fanáticos, nos dizem. Falar do amor de Deus para um colega de escola? Também não, preferem indicar o último lançamento gospel! Precisamos mudar, e mudar muito.

Entre os pentecostais é comum achar que falar em línguas é sinônimo de espiritualidade. Ter dons espirituais é sinônimo de santidade. Mas será isso verdade? Até na igreja de Corinto as pessoas tinham dons espirituais, mas eram carnais! O homem espiritual não é o que tem dons espirituais, mas aquele que produz o fruto do Espírito (Gl.5.22-23). É disso que os cristãos precisam atualmente.

Nova Reforma

A Igreja precisa de uma Nova Reforma, de um avivamento. Quando se fala em avivamento as pessoas logo pensam numa igreja poderosa, cheia do Espírito, onde acontecem muitos milagres e curas. O avivamento pode trazer todas essas coisas, mas não começa por elas. O verdadeiro avivamento começa quando a Igreja volta à verdade pregada pelos apóstolos, e que se encontra na Bíblia. O avivamento vem pela Palavra! Quando a Igreja volta à pregação da Palavra, volta ao ensino das Escrituras, então o avivamento acontece. Um exemplo é a Reforma Protestante, que foi um verdadeiro avivamento na Igreja cristã, tendo início quando o monge Martinho Lutero redescobriu as verdades bíblicas. Hoje precisamos de algo parecido. Precisamos redescobrir as verdadeiras doutrinas apostólicas e deixar de lado todo esse lixo doutrinário trazido pelos neopentecostais e outros grupos que se dizem cristãos. Quando fizermos isso teremos igrejas fortes, com cristãos verdadeiros, soldados armados com a Espada do Espírito (Ef.6.17). Aí sim veremos Deus operar como nos dias apostólicos e teremos igrejas cheias do Espírito, pois onde a Palavra de Deus é pregada de verdade, aí também se encontra aquele que é a Verdade: Jesus!

Coloquei abaixo algumas coisas que devemos voltar a fazer, e que podem desencadear essa Nova Reforma:

Unidade: A Igreja, mais do que nunca, deve buscar a unidade. Não digo unidade dentro de uma denominação apenas, mas unidade entre as denominações. As igrejas devem ser mais unidas, não só em espírito, como dizem, mas também em doutrinas, pois “andarão dois juntos, se não houver entre eles acordo?” (Am.3.3).

Estudos bíblicos nas igrejas: As igrejas devem promover mais estudos bíblicos, incentivar os membros a lerem e estudarem a Bíblia constantemente, tudo de uma forma sistemática.

Culto familiar: As igrejas devem incentivar a prática do culto familiar. Ele deve voltar a ser um elemento fundamental nas famílias cristãs, o que deixou de ser há muito tempo!

Evangelismo de casa em casa: A Igreja deve criar vergonha na cara e seguir o exemplo das Testemunhas de Jeová, pregando o evangelho de casa em casa, como faziam os apóstolos. Se queremos crescimento nas igrejas, não só em quantidade, mas principalmente em qualidade, temos que promover evangelismos todas as semanas.

Abandono das inovações: A Igreja deve tomar cuidado com as inovações promovidas por muitas denominações, e abandonar as práticas antibíblicas. Isso não significa que tudo o que é novo seja antibíblico, mas todas as inovações devem ser vistas com olhos críticos, para não termos nas igrejas coisas estranhas à Bíblia.

Irmãos, vamos juntos promover uma Nova Reforma na Igreja, um grande avivamento. Voltemos à pregação da Palavra, voltemos à mensagem da cruz. Deixemos as inovações. Deixemos o “outro evangelho” (Gl.1.8-9), que é o “evangelho da prosperidade”, e voltemos à pregação do evangelho de Cristo (Mc.16.15). Voltemos à doutrina dos apóstolos (At.2.42) e deixemos os falsos profetas com seus falsos ensinos. Vamos reformar a Igreja!

sábado, 3 de outubro de 2009

Por amor vale a pena!

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Este texto é uma redação escrita por mim no início de 2002, um ano após minha conversão, quando eu estava no 1º ano do Ensino Médio. Encontrei-a num velho caderno e decidi publicá-la para nossa edificação.

Os nossos amores são os mais variados. Existem pessoas que amam acima de tudo um objeto. Outros, o dinheiro. Outros, ainda, uma pessoa. Mas diferentemente de todos esses, existem aqueles que amam o desconhecido, que amam aquilo que nunca viram, que amam Deus. Esses são os cristãos, que podem amar ao ponto de abandonar todos os antigos amores, para amarem somente Aquele que primeiro os amou.

Sim, os cristãos verdadeiramente amam. Mas eles amam porque Deus os amou primeiro (I Jo.4.19). O amor deles não vem deles mesmos, mas é um dom de Deus, o dom maior. Amor movido não pelo que vêem, mas pelo que crêem; amor que brota da fé.

Por esse amor tudo vale a pena! Vale a pena dar os bens aos pobres, ainda que isso venha a empobrecê-los; vale a pena ser açoitado, ainda que isso os leve à morte; tudo vale a pena por esse amor!

Nenhum desejo soberbo move esses homens; nada eles recebem pelo que dão, nada esperam receber; simplesmente amam. Amam aqueles que neles batem, os machucam, xingam e os perseguem. Recebem um tapa numa face e voltam a outra àquele que os machucou. Não pagam o mal com mal, nem o ódio com ódio; não estão debaixo da lei de talião, mas da Lei de Cristo, que assim diz: "amai-vos uns aos outros, como Cristo os amou" (Jo.13.34).

Sim, amar como Cristo nos amou. Qual foi o amor que Cristo demonstrou a nós? A Sua morte! "Ninguém tem maior amor do que esse: de dar alguém a própria vida em favor de seus amigos" (Jo.14.13), disse Jesus com respeito ao Seu amor. Amar como Ele, isso é o que fazem aqueles que negaram-se a si mesmos, pegando a sua cruz. Aqueles que "em face da morte, não amaram a própria vida" (Ap.12.11). Aqueles que, pelo seu amor tão semelhante ao de Cristo, foram chamados "cristãos" em Antioquia (At.11.26).

Sim, pelo amor a Deus – não por aquilo que Ele faz, mas por aquilo que Ele é – todas as coisas valem a pena. Fiel é Aquele que fez a promessa: "Eis que venho sem demora, para retribuir a cada um segundo as suas obras" (Ap.22.12).

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

João Calvino e a Predestinação

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Estes são alguns trechos da Instituição da Religião Cristã, de João Calvino, retirados do livro III, capítulos XXI, XXII e XXIII, onde Calvino trata da doutrina da predestinação.

Ninguém que queira ser considerado homem temente a Deus ousará simplesmente negar a predestinação, pela qual Deus adota a uns para a esperança da vida e destina a outros à morte eterna; mas muitos a cercam de sutilezas, sobretudo os que intentam que a presciência seja causa da predestinação. Nós admitimos ambas as coisas em Deus, mas o que agora afirmamos é que é de todo infundado fazer uma depender da outra, como se a presciência fosse causa e a predestinação, o efeito. Quando atribuímos a Deus a presciência, queremos dizer que todas as coisas estiveram e estarão sempre diante de seus olhos, de maneira que, em seu conhecimento, não há passado nem futuro, mas todas as coisas estão presentes. E de tal forma presentes que não as imagina como uma espécie de idéias ou formas, à maneira que nós imaginamos as coisas cuja recordação nosso intelecto retém, mas que as vê e contempla como se verdadeiramente estivesse diante dele. E essa presciência se estende por todo o orbe da terra e sobre todas as criaturas. Chamamos predestinação ao decreto eterno de Deus pelo qual determinou o que quer fazer de cada um dos homens. Porque Ele não os cria com a mesma condição, mas antes ordena a uns para a vida eterna, e a outros, para a condenação perpétua. Portanto, segundo o fim para o qual o homem é criado, dizemos que está predestinado à vida ou à morte [...]

Paulo, quando ensina que fomos escolhidos em Cristo antes da fundação do mundo (Ef.1.4), certamente prescinde de toda consideração de nossa dignidade. Porque equivale a ter dito que, como o Pai celestial não achou em toda a descendência de Adão quem merecesse sua eleição, pôs seus olhos em Cristo, a fim de eleger como membros do corpo de Cristo aqueles a quem havia de dar vida. Estejam, pois, os fiéis convencidos de que Deus nos adotou em Cristo para sermos seus herdeiros, porque não éramos, por nós mesmos, capazes de tão grande dignidade e excelência. O qual o apóstolo mesmo nota também em outro lugar, quando exorta os colossenses a dar graças ao Pai que nos fez aptos para participar da herança dos santos (Cl.1.12). Se a eleição de Deus precede a graça pela que nos fez idôneos para alcançar a glória da vida futura, que poderá encontrar em nós que o mova a nos eleger? O que eu pretendo se verá de modo mais claro ainda por outro passo do mesmo apóstolo: "Escolheu-nos antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e sem mancha diante dele" (Ef.1.4); no que opõe o beneplácito de Deus a todos os nossos méritos [...]

Assim, na Epístola aos Romanos, na qual repete este tema mais a propósito e lhe dá continuidade mais por extenso, o apóstolo nega que sejam israelitas todos os que descendem de Israel (Rm.9.6-8); porque, embora eles, por causa do direito da herança, fossem todos benditos, nem todos, no entanto, chegaram igualmente à sucessão [...] Paulo, ainda que conceda que a posteridade de Abraão seja santa por causa do pacto, mostra que muitos deles eram estranhos e nada tinham que ver com essa posteridade, e isso não somente por terem degenerado de maneira que de legítimos se transformaram em bastardos, mas porque a especial eleição de Deus está acima de tudo, e só ela ratifica a adoção divina. Se uns fossem confirmados por sua piedade na esperança da salvação e outros fossem excluídos só por sua defecção e afastamento, com certeza Paulo falaria muito tola e absurdamente, transportando os leitores à eleição secreta. Mas se é a vontade de Deus – cuja causa nem se mostra nem se deve buscar – a que diferencia uns dos outros, de tal maneira que nem todos os filhos de Israel são israelitas, é em vão querer imaginar que a condição e estado de cada um tem seu princípio no que têm em si. Paulo vai adiante quando aduz o exemplo de Jacó e Esaú (Rm.9.10-13). Pois, uma vez que ambos eram filhos de Abraão, e estando ambos encerrados simultaneamente no seio da mãe, o fato de a honra da primogenitura ter sido transferida a Jacó foi como uma mutação prodigiosa, pela qual, no entanto, Paulo mantém que a eleição de um foi testemunhada, assim como a reprovação do outro. Quando se pergunta pela origem e causa disso, os doutores da presciência a põem nas virtudes de um e nos vícios do outro. Parece-lhes que com duas palavras resolvem a questão, e afirmam que Deus mostrou, na pessoa de Jacó, que escolhe aqueles que previu que seriam dignos de sua graça; e, na de Esaú, que reprova aqueles que previu que seriam indignos dela. Isso é o que essa gente ousadamente se atreve a sustentar. Mas que diz Paulo? E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem haviam praticado o bem ou o mal, para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama; já fora dito a ela: o mais velho servirá ao mais moço; como está escrito: a Jacó amei, mas detestei a Esaú (Rm.9.11-13). Se a presciência valesse de alguma coisa para estabelecer a diferença entre esses dois irmãos, a menção do tempo certamente seria inoportuna. Suponhamos que Jacó tivesse merecido a dignidade da eleição pelas virtudes que haveria de ter no futuro; por que Paulo diria que Jacó ainda não havia nascido? Ademais, por que teria acrescentado, inconsideradamente, que Jacó ainda não fizera bem algum – porque seria fácil replicar que, não estando nada oculto a Deus, a piedade de Jacó estivera sempre presente na ciência do Senhor. Se as obras merecessem a graça, é de todo certo que seria igual para Deus valorizá-las antes de Jacó nascer ou quando já estivesse velho. Mas o apóstolo, prosseguindo com o tema, resolve a dúvida e ensina que a adoção de Jacó não se deveu às obras, mas à vocação de Deus. Para as obras, o apóstolo não estabelece tempo, passado ou vindouro, e, ao opor expressamente as obras à vocação de Deus, destrói a propósito um com o outro, como se dissesse: devemos considerar qual foi a boa vontade de Deus, e não os que os homens aportaram por si. Por fim, é evidente que, pelas palavras "eleição" e "propósito", o apóstolo quis remover desta causa todas as causas que os homens costumam imaginar à margem do secreto desígnio de Deus [...]

Tratemos agora dos réprobos, dos quais o apóstolo também fala ali, na mesma ocasião. Pois assim como Jacó, sem ter ainda merecido coisa alguma com suas boas obras, é recebido na graça, do mesmo modo Esaú, sem ter cometido ofensa alguma, é rejeitado por Deus (Rm.9.13). Se voltássemos nossos olhos apenas para as obras, faríamos grave injúria ao apóstolo, como se não tivesse visto o que é evidente para nós. Ora, prova-se que ele não o tenha visto, porque insiste particularmente nisto: em que, antes de fazer bem ou mal algum, um foi escolhido, e o outro, rejeitado; de onde se conclui facilmente que o fundamento da predestinação não consiste nas obras. Além disso, depois de ter suscitado a questão de se Deus é injusto, não alega que Deus pagou a Esaú segundo sua malícia – o que seria a mais clara e certa defesa da justiça de Deus -, mas resolve a questão com uma solução bem diversa: que Deus suscita os réprobos para exaltar neles sua glória. E finalmente põe como conclusão que Deus tem misericórdia de quem deseja, e que endurece a quem lhe apraz (Rm.9.18). Não vemos, então, como o apóstolo entrega um e outro somente à vontade de Deus? Se nós, pois, não podemos assinalar outra razão de Deus fazer misericórdia aos seus senão porque lhe agrada, tampouco disporemos de outra razão para rejeitar e afastar os outros senão pelo mesmo beneplácito. Pois quando se diz que Deus endurece ou que faz misericórdia a quem lhe agrada, é para advertir os homens de não buscarem causa nenhuma fora de sua vontade [...]

Muitos, fingindo que querem manter a honra de Deus e evitar que se lhe faça alguma acusação falsamente, admitem a eleição, mas de tal maneira que negam que alguém seja reprovado. Mas nisto se enganam grandemente, porque não existiria eleição, se, por outro lado, não houvesse reprovação. Diz-se que Deus separa aqueles que adota para que se salvem. Seria, pois, um notável desvario afirmar que os outros alcançam por casualidade ou adquirem por sua indústria o que a eleição dá a poucos. Assim, aqueles por que Deus passa ao eleger, reprova-os; e isto só pela razão de que Ele os quer excluir da herança que predestinou para seus filhos. Não se pode tolerar a obstinação dos que não permitem que se lhes ponha freio com a Palavra de Deus, tratando-se de um juízo compreensível seu, que até os próprios anjos adoram.

domingo, 20 de setembro de 2009

Teologia e Vida com cara nova

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Como os irmãos já perceberam, o Teologia e Vida agora está com um novo visual. O responsável por tal façanha é o nosso amado irmão Vinícius Pimentel, do blog Voltemos ao Evangelho, a quem oferecemos nossos sinceros agradecimentos. Vini, que Deus continue te abençoando e que você continue usando esse dom para a glória dEle!

Esperamos que essa mudança possa tornar este blog um veículo ainda mais eficaz para propagar as doutrinas da graça, para a glória de Deus e para a nossa alegria!

terça-feira, 15 de setembro de 2009

João, Policarpo e os Hereges

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Este texto é um trecho do livro Contra as Heresias, de Ireneu de Lião (130-202 d.C.), discípulo de Policarpo (70-160 d.C.).

Podemos ainda lembrar Policarpo, que não somente foi discípulo dos apóstolos e viveu familiarmente com muitos dos que tinham visto o Senhor, mas que, pelos próprios apóstolos, foi estabelecido bispo na Ásia, na Igreja de Esmirna. Nós o vimos na nossa infância, porque teve vida longa e era muito velho quando morreu com glorioso e esplêndido martírio. Ora, ele sempre ensinou o que tinha aprendido dos apóstolos, que também a Igreja transmite e que é a única verdade. E é disso que dão testemunho todas as Igrejas da Ásia e os que até hoje sucederam a Policarpo, que foi testemunha da verdade bem mais segura e digna de confiança que Valentim* e Marcião* e os outros perversos doutores. É ele que no pontificado de Aniceto, quando esteve em Roma, conseguiu reconduzir muitos destes hereges, de que falamos, ao seio da Igreja de Deus, proclamando que não tinha recebido dos apóstolos senão uma só e única verdade, aquela mesma que era transmitida pela Igreja. E há os que ouviram dele que João, o discípulo do Senhor, tendo ido, um dia, às termas de Éfeso e tendo notado Cerinto* lá dentro, precipitou-se para a saída, sem tomar banho, dizendo ter medo que as termas desmoronassem, porque no interior se encontrava Cerinto, o inimigo da verdade. O próprio Policarpo, quando Marcião, um dia, se lhe avizinhou e lhe dizia: "Prazer em conhecê-lo", respondeu: "Eu te conheço como o primogênito de Satã"; tanta era a prudência dos apóstolos e dos seus discípulos, que recusavam comunicar, ainda que só com a palavra, com alguém que deturpasse a verdade, em conformidade com o que Paulo diz: "Foge do homem herege depois da primeira e da segunda correção, sabendo que está pervertido e é condenado pelo seu próprio juízo" (Tt.3.10-11). Existe também uma carta importantíssima de Policarpo aos filipenses na qual os que desejam e se importam com a sua salvação podem conhecer as características da sua fé e a pregação da verdade. Também a igreja de Éfeso, que foi fundada por Paulo e onde João morou até os tempos de Trajano, é testemunha verídica da tradição dos apóstolos.

* Cerinto, Marcião e Valentim: hereges gnósticos do século II d.C.

Para maiores informações sobre Policarpo, veja o livro Padres Apostólicos, que traz duas epístolas de Policarpo escritas aos filipenses e o relato de seu martírio escrito pela Igreja de Esmirna. No blog Voltemos ao Evangelho também há um vídeo muito proveitoso onde John Piper narra o martírio de Policarpo.
 

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